Gatonet: esquema global com envolvimento do FBI e prejuízos enormes

Gatonet se profissionaliza e vira multinacional do crime, revela investigação
O famoso ‘gatonet’ brasileiro, antes visto como uma mera gambiarra, evoluiu para um negócio global sofisticado, com estrutura empresarial, SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) – mesmo que ineficiente – e até opções de parcelamento no cartão de crédito. A informação foi revelada por Paulo Benelli, delegado de polícia e coordenador do Laboratório de Cibernética do Ministério da Justiça, em participação no podcast Deu Tilt do UOL.
Segundo Benelli, as quadrilhas por trás do gatonet moderno abandonaram os antigos esquemas de ‘puxar cabo no poste’. Atualmente, elas operam com servidores localizados no exterior, vendem TV Boxes ilegais, investem pesado em marketing nas redes sociais e oferecem diversas formas de pagamento. No entanto, essa profissionalização do crime também traz consigo diversos riscos para o consumidor.
Riscos vão além do sinal cortado: dados vazados e invasão de redes domésticas
O delegado Paulo Benelli alerta que, junto com a aparente facilidade e economia proporcionada pelo gatonet, vêm sérios prejuízos. Os usuários estão sujeitos a golpes, vazamento de dados pessoais e até invasões em suas redes domésticas. Estudos da Anatel comprovam que muitas TV Boxes ilegais contêm malwares que abrem brechas para hackers acessarem o Wi-Fi e, consequentemente, outros dispositivos conectados na rede.
“Hoje [o gatonet] se estruturou de uma maneira não só tecnológica mas também organizada de modo empresarial para poder fraudar direitos de propriedade intelectual e causar dano ao consumidor”, explica Benelli. Ele detalha que o esquema conta com estrutura de pagamento, um setor de atendimento ao cliente que raramente resolve os problemas, e equipes dedicadas à propaganda das TV Boxes em diversas mídias, incluindo redes sociais.
Brasil se torna referência no combate à pirataria digital
A complexidade das operações de gatonet exige um combate cada vez mais sofisticado. As autoridades brasileiras têm investido em rastreamento digital, operações conjuntas entre as polícias estaduais e federal, e parcerias internacionais para combater a pirataria em escala global. A colaboração internacional se tornou tão relevante que o Brasil se tornou referência no combate ao gatonet, atraindo a atenção de autoridades de países como Reino Unido, Estados Unidos e até mesmo o FBI.
Benelli destaca que o modelo brasileiro se destaca por articular ações que envolvem o Ciberlab, a indústria de audiovisual e as polícias civis em grandes operações. A experiência do Brasil tem sido compartilhada em mesas redondas internacionais, onde autoridades de diversos países alinham estratégias para responder rapidamente às novas formas de pirataria.
De vítimas a colaboradores: o consumidor no centro da batalha contra o gatonet
Além dos riscos diretos para o consumidor, como a perda do sinal e o roubo de dados, o gatonet causa prejuízos bilionários para a indústria do entretenimento e para os cofres públicos. Ao consumir conteúdo pirata, o usuário financia o crime organizado e contribui para a precarização do mercado de trabalho no setor audiovisual.
A conscientização dos consumidores sobre os riscos e prejuízos do gatonet é fundamental para o sucesso do combate à pirataria digital. Ao optar por serviços legais de streaming e TV por assinatura, o usuário garante a segurança de seus dados, contribui para o desenvolvimento da indústria do entretenimento e fortalece a economia do país.
O delegado Benelli ressalta que a participação da sociedade é fundamental para o sucesso das ações de combate à pirataria. Denúncias e informações sobre esquemas de gatonet podem ser feitas de forma anônima, auxiliando as autoridades a identificar e desmantelar as organizações criminosas por trás dessa prática ilegal.
Da redação do Movimento PB.
