IA: Empresas são ‘impérios opacos’ sem plano de negócios e valor real, alerta jornalista

A indústria da inteligência artificial (IA), embora promissora, esconde uma face preocupante. Essa é a visão da premiada jornalista Karen Hao, especializada em tecnologia. Em seu novo livro, “Empire of AI” (O Império da IA), Hao desmascara o que ela considera práticas imperialistas e narrativas enganosas por trás das gigantes do setor, alertando para uma possível bolha financeira que pode ter consequências devastadoras.
O “Império” por Trás da Inovação
Para Hao, empresas como a OpenAI, de Sam Altman, operam como novos impérios, apropriando-se de recursos alheios e manipulando a percepção pública. “Elas reivindicam recursos que não são delas”, afirma a jornalista, citando a coleta massiva de dados de usuários comuns e a propriedade intelectual de artistas e criadores. Além disso, a exploração de trabalhadores é uma constante, com pagamentos irrisórios a colaboradores do Sul global por tarefas essenciais ao desenvolvimento da IA, enquanto os empregos são cada vez mais precarizados.
A opacidade é outra ferramenta imperialista. Hao destaca que essas companhias mantêm informações cruciais em segredo – desde o funcionamento de seus sistemas e centros de dados até o consumo de energia e água. O objetivo? Manipular narrativas sobre a tecnologia, seus impactos e como ela afetará a sociedade, sem precisar de transparência.
Monopólio do Conhecimento e Retórica “Nós ou Eles”
Um dos pontos mais críticos levantados por Hao é o monopólio do conhecimento. Pesquisadores de IA são majoritariamente financiados pelas próprias empresas do setor, o que, para a jornalista, distorce a perspectiva pública. “Se a maioria dos cientistas climáticos fossem financiados por empresas de combustíveis fósseis, não teríamos uma perspectiva clara da crise climática”, compara. O mesmo ocorre com a IA, onde a independência de análise é comprometida.
As empresas de IA também se valem de uma retórica moralista, apresentando-se como salvadoras do progresso. Essa estratégia, segundo Hao, ecoa o discurso imperialista de “nós ou eles”, já utilizado por figuras como Donald Trump e Mark Zuckerberg. A mensagem é clara: se não houver concessão de recursos, trabalho ou conhecimento, a humanidade perderá para “impérios malignos”.
Musk, Altman e a Militarização da IA
Karen Hao não poupa críticas a nomes como Elon Musk e Sam Altman. Ela argumenta que Musk nunca mudou sua perspectiva sobre a IA; seus medos anteriores se referiam ao fato de não estar no controle da tecnologia. Agora que ele está, a regulamentação é vista como um obstáculo. A recente decisão do Pentágono de usar a ferramenta Grok, de Musk, é vista com alarme por Hao, que classifica a IA generativa como “imprecisa e não confiável” para decisões de vida ou morte em contextos militares.
Sobre Sam Altman, a jornalista revela que a OpenAI, inicialmente com propósitos sem fins lucrativos, sempre buscou o controle do poder. A estratégia de oferecer salários menores em troca de um “propósito” era uma forma de atrair talentos e competir com gigantes como o Google. Uma vez estabelecida, a empresa se tornou totalmente focada em lucros, demonstrando que Altman, assim como Musk, “joga o mesmo jogo”.
A Iminente Bolha da IA
O alerta mais severo de Karen Hao reside na possibilidade de uma bolha da IA. Ela aponta que grande parte do crescimento do mercado de ações nos EUA está baseada em empresas de IA com “valor zero”, que investiram umas nas outras para inflar suas ações. “As companhias de IA não têm um plano de negócio. Não têm uma substância real para sustentar seu valor”, adverte.
Relatórios indicam uma diminuição na adoção de ferramentas de IA generativa por muitas empresas, que não viram lucros que justificassem os investimentos. Se essa bolha estourar, os impactos poderiam ser “enormes”, comparáveis à crise de 2008.
Apesar de suas críticas contundentes à estrutura de poder, Hao se considera otimista em relação à IA em si. “O motivo que me leva a pesquisar e criticar é porque acredito que o mundo pode ser melhor”, conclui. Ela defende que, sem a intervenção de “impérios”, a IA pode trazer muitos benefícios, e que é possível encontrar um caminho mais humano e sustentável para a tecnologia.
Da redação do Movimento PB.
