Igreja e Justiça da Paraíba se unem em campanha inédita contra feminicídio

A capital paraibana foi palco, nesta terça-feira (10), do lançamento oficial da campanha ‘Mesmo que ninguém veja’, uma iniciativa poderosa resultante de um Termo de Cooperação entre a Arquidiocese da Paraíba e o Tribunal de Justiça (TJPB). Em uma reunião com mais de 150 membros do Clero Arquidiocesano, incluindo padres, diáconos e seminaristas, o projeto foi detalhado, visando conscientizar, prevenir e acolher mulheres em situação de violência, e assim, fortalecer uma cultura de respeito e dignidade.
Dados Alarmantes Impulsionam a Ação
A juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJPB, liderou a explanação, revelando números crescentes e assustadores da violência doméstica no Brasil. Em 2025, o país registrou a morte de quatro mulheres por dia, somando 1.470 feminicídios consumados e mais de 3.800 tentativas. “Eu estou falando do ápice da violência, porque ninguém começa um relacionamento matando”, alertou a magistrada, sublinhando a gravidade da situação e a necessidade urgente de intervenção.
A magistrada enfatizou o papel crucial que cada religioso terá na disseminação da mensagem de respeito e proteção às mulheres. A campanha, que terá início oficial em 8 de março e se estenderá até 8 de dezembro, data da celebração de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, busca uma mobilização contínua e aprofundada.
“Nossa fala teve o viés de explicar onde padres, diáconos e seminaristas se inserem nesse contexto, enquanto religiosos e enquanto igreja. Tivemos uma boa aceitação naquilo que nos propusemos a fazer, para depois iniciarmos a questão realmente formativa e educativa, que é o que propõe a campanha durante todo o ano”, explicou a juíza, demonstrando otimismo com a adesão do clero.
O Compromisso da Arquidiocese
Dom Manoel Delson, arcebispo da Paraíba, reiterou o objetivo central da campanha e a importância da parceria. “O que nós queremos é que os padres levem essa mensagem para todas as paróquias, todos os movimentos, comunidades. Nós temos uma presença capilar em todas as realidades da nossa Arquidiocese, e essa mensagem deve chegar a todos”, afirmou.
O arcebispo destacou a preocupação da Igreja com a violência contra a mulher e o empenho em promover a conscientização de que o caminho é o cuidado e o respeito, e não a violência. A vasta rede da Arquidiocese é vista como um instrumento poderoso para que a mensagem alcance cada canto do estado.
Estrutura e Fases da Campanha
Para garantir a eficácia da campanha, seis equipes multidisciplinares foram formadas, englobando setores do Judiciário, o jurídico da Cúria Metropolitana, especialistas em estatísticas de violência, equipes de eventos, comunicação e, fundamentalmente, formação dos religiosos. Estes últimos terão acesso a conhecimentos sobre as instituições que integram a rede de proteção à mulher.
Padre Mário Silva, assessor eclesiástico da Comunicação da Arquidiocese, detalhou as duas fases da iniciativa. “Organizamos uma equipe que estará, ao longo do mês, estudando sobre as questões relacionadas à violência contra a mulher. A partir do dia 8 de março, começamos as duas etapas da própria campanha, através de uma etapa que é formativa, vamos nas comunidades, nas paróquias, em todos os lugares que formos chamados ou que encontrarmos um espaço para educar as pessoas acerca do feminicídio, mas também de todos os tipos de violência”, pontuou.
A segunda fase da campanha foca na disseminação da informação, buscando o máximo de parcerias possíveis. “Vamos fazer o máximo de parcerias possíveis para que chegue a todas as pessoas através, dos meios de comunicações, das forças que têm as redes sociais, usando já a malha que nós temos disponível e externas também, formando cada vez mais parceiros para que essa mensagem acerca da proteção da vida da mulher chegue a todas as pessoas”, completou Padre Mário Silva, ressaltando a abrangência que se pretende dar à iniciativa.
Da redação do Movimento PB.
