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O risco da autenticidade: quando a exposição do CEO vira munição para rivais

O risco da autenticidade: quando a exposição do CEO vira munição para rivais
Reprodução Tom Curtis, presidente do Burger King e Chris Kempczinski, CEO do McDonald’s

A mordida que custou o engajamento

O lançamento do Big Arch, a nova aposta do McDonald’s para enfrentar concorrentes premium como o Shake Shack, acabou gerando uma lição inesperada sobre marketing de influência executiva. Um vídeo institucional apresentando o CEO Chris Kempczinski provando o novo sanduíche viralizou, mas não pelo sabor do produto. Usuários notaram uma postura hesitante do executivo, descrevendo sua reação como “tímida” e desprovida do entusiasmo esperado de quem lidera a maior rede de fast-food do mundo.

A vulnerabilidade foi prontamente explorada pelo Burger King. Em uma manobra ágil de real-time marketing, o presidente da rede, Tom Curtis, surgiu em um vídeo devorando um Whopper com a voracidade que o DNA da marca exige. O episódio ilustra o campo de batalha digital onde as corporações não lutam mais apenas com preços, mas com a percepção de autenticidade de seus líderes.

A fragilidade da imagem executiva

Para Marcos Bedendo, sócio-consultor da Brandwagon e professor de branding na ESPM e Ibmec, o impacto para a marca McDonald’s é limitado devido à sua robustez institucional, mas o dano à figura de Kempczinski é real. “É ruim ter um CEO que não consegue transparecer interesse pelo próprio produto”, pontua o especialista. Embora a gestão de Kempczinski entregue resultados financeiros sólidos, a desconexão estética com o produto pode corroer sua relevância como líder simbólico.

O fenômeno reflete uma mudança de paradigma: se antes os CEOs eram figuras de bastidores, hoje o mercado exige rostos humanos. No entanto, essa exposição é uma faca de dois gumes:

  • Credibilidade: Quando o líder demonstra paixão real, como visto na recuperação da Red Lobster sob Damola Adamolekun, o engajamento se converte em vendas.
  • Risco Reputacional: Erros de conduta ou falta de carisma podem personificar crises, como o caso histórico da Papa Johns com John Schnatter.
  • Ruído Digital: Nas redes sociais, qualquer gesto é amplificado e distorcido por influenciadores em busca de audiência.

Contexto de mercado e recuperação

Apesar do ruído digital, o McDonald’s navega em águas mais calmas financeiramente. Após enfrentar desafios com o surto de E.coli e críticas sobre o custo-benefício em 2024, a rede registrou um crescimento de 6,8% nas vendas nos EUA no último trimestre. Estratégias de combos a preços populares e o próprio lançamento do Big Arch fazem parte de um esforço para reconquistar o consumidor que, pressionado pela inflação e por novas tendências de saúde (como o uso de medicamentos análogos ao GLP-1), tornou-se mais exigente.

O Que Você Precisa Saber

Por que as marcas estão usando CEOs em propagandas?

A estratégia busca humanizar grandes corporações e transmitir confiança. Em um mercado saturado de anúncios artificiais, a figura do “dono” ou do principal executivo avalizando o produto serve como um selo de qualidade e transparência, aproximando a marca do consumidor final.

Um erro de imagem do CEO pode derrubar as vendas?

Dificilmente em gigantes como o McDonald’s. Especialistas apontam que essas crises costumam ser passageiras e restritas a bolhas de especialistas em marketing. O impacto real nas vendas depende mais de fatores como preço, segurança alimentar e qualidade do serviço do que de um vídeo viral isolado.

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