Milagre? Paraplégicos voltam a se mover após droga experimental
Esperança renovada: pacientes paraplégicos apresentam melhora após uso de polilaminina
Em um desenvolvimento surpreendente, dois pacientes com lesão medular completa, que resultou na perda total de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo, demonstraram sinais de recuperação após receberem doses de polilaminina. A informação foi divulgada pela equipe de pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da substância.
Os pacientes, que receberam as injeções há duas semanas por meio de decisões judiciais, começaram a apresentar sensações e conseguem realizar pequenos movimentos. A equipe, liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio da UFRJ, está monitorando de perto a evolução dos casos.
O que é polilaminina?
A polilaminina é uma substância derivada da placenta humana que, em testes, mostrou potencial para reparar a medula espinhal em casos de lesões e restaurar movimentos em pacientes com paraplegia ou tetraplegia.
Um dos casos de destaque durante a pesquisa foi o de Bruno Drummond de Freitas, que recuperou os movimentos após receber a polilaminina 24 horas após sofrer um acidente que o deixou tetraplégico.
Anvisa e a liberação
Embora a Anvisa ainda não tenha autorizado a pesquisa para a fase clínica, a agência tem permitido as aplicações mediante autorização judicial.
Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, um dos pacientes a receber a polilaminina, relatou sensibilidade nos membros inferiores menos de 48 horas após o procedimento. Avaliações médicas posteriores constataram que ele consegue contrair músculos da coxa e da região anal, além de ter ampliado o campo de sensibilidade.
O segundo paciente, de 35 anos, também apresentou melhora, conseguindo realizar um leve movimento do pé e relatando sensibilidade nas pernas.
Opiniões médicas
O médico Bruno Alexandre Côrtes, que realizou as aplicações, expressou surpresa com os resultados: “Eu operei o rapaz e vi uma transecção completa da medula. Não havia a menor chance de esse paciente ter qualquer movimento ou sensibilidade em condições normais. A única explicação é a polilaminina.”
A bióloga Tatiana reforça a necessidade de um estudo clínico para coleta de dados e controle, alertando para os riscos de se continuar com as aplicações apenas por meio de ordens judiciais.
A Anvisa informou que a proposta de desenvolvimento clínico da polilaminina está em avaliação prioritária, com foco na segurança dos participantes do ensaio clínico.
O fisiatra Marcelo Ares, da AACD, ressalta a importância de se determinar se os resultados são decorrentes da droga ou dos cuidados prestados e da regeneração natural.
A polilaminina só pode ser aplicada em vítimas de lesões medulares completas e recentes, com no máximo 72 horas.
Até o momento, foram quatro ordens judiciais, com três procedimentos realizados. Todos os pacientes necessitarão de reabilitação intensiva para otimizar os resultados da substância.
Os custos das aplicações têm sido divididos entre voluntários, o poder público e o laboratório Cristália.
Da redação do Movimento PB.
