Mistério no Açude Velho: Imagens de satélite revelam a causa da morte de peixes

Açude Velho muda de cor antes da tragédia
Imagens de satélite revelaram uma mudança drástica na coloração do Açude Velho, em Campina Grande, antes da remoção de dez toneladas de peixes mortos. O estudo, conduzido pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lápis) da Universidade Federal de Alagoas, indica que a dispersão de esgoto e uma intensa proliferação de algas foram fatores determinantes para a falta de oxigênio na água.
O coordenador do Lápis, professor Humberto Barbosa, explicou que a alteração na cor da água, observada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, sinaliza a entrada e disseminação de poluentes, principalmente esgoto, no reservatório. A consequente “explosão” de algas agravou a situação, comprometendo ainda mais a oxigenação da água.
Despejo de esgoto é apontado como causa principal
O estudo aponta que, além do processo de eutrofização – o aumento descontrolado de algas e plantas aquáticas que consomem o oxigênio –, o despejo irregular de esgoto e o aumento do volume de água foram cruciais para o desastre no Açude Velho.
As descobertas foram entregues ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), que está investigando a mortandade dos peixes e o lançamento ilegal de esgoto no reservatório. O Lápis já realizou estudos semelhantes em outros casos de grande repercussão no Brasil, como o aparecimento de manchas de óleo no litoral nordestino e o desabamento de bairros devido à atividade de mineração.
Imagens de satélite revelam poluição crescente
Uma sequência de imagens de satélite mostra a evolução da poluição no Açude Velho. Em julho de 2025, a qualidade da água ainda era considerada “normal”, apesar de já apresentar sinais de poluição. Em novembro, a dispersão de esgoto provocou um aspecto esbranquiçado na água, que se espalhou por quase toda a superfície devido à ação dos ventos.
Em dezembro, a tonalidade esverdeada indicava o excesso de fitoplâncton e algas, um processo inicial de eutrofização que reduz a oxigenação da água. Já em janeiro de 2026, a água escura e a concentração de peixes mortos confirmaram o desastre ambiental.
Aumento do volume de água intriga pesquisadores
O estudo também revelou um aumento no volume de água do Açude Velho entre dezembro e janeiro, sem que houvesse registro de chuvas significativas. Essa elevação pode ser resultado do despejo de esgoto, mas também da entrada de outros materiais desconhecidos no reservatório. A causa exata só poderá ser confirmada após a divulgação dos resultados da perícia nas águas, realizada pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC).
Prefeitura busca soluções para revitalizar o Açude Velho
A Prefeitura de Campina Grande informou que pretende lançar uma licitação no primeiro semestre de 2026 para revitalizar o Açude Velho. O projeto prevê a construção de uma estação de tratamento para coletar e tratar o esgoto, devolvendo a água limpa ao reservatório. Além disso, será realizado o desassoreamento do açude, com a remoção do material sedimentado ao longo dos anos. O investimento estimado é de R$ 30 milhões.
O Açude Velho, um dos principais cartões-postais de Campina Grande, não é utilizado para o abastecimento da cidade, que atualmente é feito pelo Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. No entanto, o reservatório possui grande valor histórico e cultural para a região.
Da redação do Movimento PB.
