Morre Robert Duvall, o lendário Tom Hagen de ‘O Poderoso Chefão’, aos 95

O mundo do cinema se despede de um de seus maiores ícones. Robert Duvall, o ator aclamado por sua versatilidade e presença marcante em mais de sete décadas de carreira, faleceu aos 95 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, que em uma emocionante publicação no Facebook, revelou que Bob, como era carinhosamente chamado, partiu de forma tranquila em casa, cercado por amor e carinho.
“Ontem nos despedimos do meu amado marido, amigo querido e um dos maiores atores do nosso tempo. Bob morreu em casa, de forma tranquila, cercado de amor e carinho”, escreveu a atriz. Ela destacou a profunda paixão de Duvall por sua arte e pelos personagens que interpretava, ressaltando sua dedicação total à verdade humana em cada papel, deixando um legado “duradouro e inesquecível” para todos.
Uma Carreira de Brilho e Versatilidade
Duvall iniciou sua jornada artística no teatro na década de 1950, mas foi no cinema que sua estrela brilhou intensamente. O público e a crítica o descobriram no início dos anos 1970, com participações em filmes como “M*A*S*H” (1970) e “THX 1138” (1971), este último marcando a estreia de George Lucas na direção. Contudo, foi seu papel como Tom Hagen, o conselheiro legal e braço direito da família Corleone em “O Poderoso Chefão” (1972), que o alçou ao estrelato e lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar.
Ele reprisou o papel na aclamada sequência “O Poderoso Chefão Parte II” (1974), mas uma disputa salarial o impediu de participar do terceiro filme da trilogia. Duvall revelou que recusou o convite ao saber que Al Pacino receberia três a quatro vezes mais do que ele, uma disparidade que considerou inaceitável. “Eu falei que trabalharia facilmente se pagassem a (Al) Pacino o dobro do que me pagavam. Tudo bem. Mas não três ou quatro vezes, que era o que eles pagavam”, afirmou em entrevista.
O Oscar e Outros Papéis Inesquecíveis
A consagração na Academia veio em 1984, quando Duvall conquistou o Oscar de Melhor Ator por sua performance em “A Força do Carinho” (1983). No drama, ele interpretou uma ex-estrela da música country que luta contra o alcoolismo e a destruição de sua carreira e relações familiares.
Ao longo de sua vasta filmografia, Robert Duvall acumulou papéis icônicos que se tornaram marcos na história do cinema. Sua presença magnética pode ser vista em clássicos como “A Conversação” (1974), “Rede de Intrigas” (1976), “Apocalypse Now” (1979) e “Um Homem Fora de Série” (1984). Sua última indicação ao Oscar ocorreu em 2015, pelo drama de tribunal “O Juiz”, onde contracenou com Robert Downey Jr. e Billy Bob Thornton.
Legado e Homenagens
Billy Bob Thornton, que trabalhou com Duvall em “O Juiz”, o considerava um mentor. Em uma entrevista, Thornton relembrou os ensinamentos do veterano ator: “Ele me ensinou muito. Me ensinou que há uma diferença entre ‘sutil’ e ‘entediante’. Me ensinou que não há esse negócio de ‘exagerado’, desde que seja real. Muitas coisas.”
Seu último trabalho como ator em um filme foi uma participação especial em “O Pálido Olho Azul” (2022), um mistério estrelado por Christian Bale. A partida de Robert Duvall deixa um vazio no cinema, mas seu legado de performances intensas e memoráveis continuará a inspirar gerações de atores e cinéfilos.
Da redação do Movimento PB.
