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Neta de JK: Hipótese de assassinato por ‘ação do Estado’ não pode ser ignorada

Neta de JK: Hipótese de assassinato por ‘ação do Estado’ não pode ser ignorada
Neta de JK: Hipótese de assassinato por ‘ação do Estado’ não pode ser ignorada

A hipótese de que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) foi vítima de um assassinato orquestrado pelo Estado durante a ditadura militar não pode ser descartada, segundo Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente e presidente do Memorial JK. Em um comunicado divulgado pela CNN Brasil, ela enfatizou que a reabertura deste debate é um “passo importante para a verdade histórica no Brasil”.

Novo relatório da CEMDP aponta para assassinato

O pronunciamento de Anna Christina surge após a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) elaborar um relatório que sugere que JK foi assassinado, contrariando a versão oficial de um acidente automobilístico. O acidente, ocorrido em 22 de agosto de 1976 na Via Dutra, próximo a Resende (RJ), vitimou JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro. A neta de JK relembrou ter recebido a notícia da morte do avô por acidente uma semana antes do evento fatídico, o que, segundo ela, já levantava suspeitas.

“Os elementos reunidos ao longo dos anos sobre as circunstâncias da morte de JK indicam que o fato não pode ser analisado isoladamente do contexto político da época”, declarou Anna Christina. Ela ressaltou a posição de JK como uma “das maiores lideranças civis do País”, cassado e perseguido politicamente pelo regime militar, e figura central na luta pela redemocratização. “Em meio à repressão sistemática promovida na América do Sul, não é possível ignorar a hipótese de que ele tenha sido alvo de uma ação de Estado”, completou.

Divergências históricas e a busca pela verdade

A família Kubitschek considera fundamental que o Brasil “enfrente sua história com coragem e transparência”. Caso a CEMDP conclua oficialmente pelo atentado político, Anna Christina considera que será um “reconhecimento histórico necessário — não apenas para sua memória, mas para todas as vítimas da violência do Estado”.

O relatório da CEMDP, sob relatoria de Maria Cecília Adão, ainda está em processo de avaliação e não foi votado pela comissão. O Ministério dos Direitos Humanos informou que as decisões são tomadas por maioria simples em reuniões da comissão.

Anteriormente, em 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, de São Paulo, já havia concluído que JK e Geraldo Ribeiro foram vítimas de “conspiração, complô e atentado político”, com base em relatos que indicavam que o motorista do Opala poderia ter sido atingido por um tiro. Contudo, em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) divergiu, afirmando que “não há documentos, laudos e fotografias […] qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro tenham sido assassinados”. A CNV analisou um fragmento metálico encontrado no crânio de Geraldo Ribeiro, concluindo que se tratava de um cravo de caixão.

A reabertura da investigação pelo governo federal e pela CEMDP no início de 2023 sinaliza uma nova etapa na busca por respostas sobre as circunstâncias da morte de um dos mais importantes presidentes da história brasileira.

Nota completa de Anna Christina Kubitschek:

  • “A reabertura do debate sobre a morte de meu avô Juscelino representa um passo importante para a verdade histórica no Brasil. Durante décadas, prevaleceu a versão de que JK teria sido vítima de um acidente automobilístico. No entanto, novas investigações, perícias independentes e relatórios produzidos por comissões da verdade estaduais, pelo Ministério Público Federal e agora pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) apontam graves inconsistências nessa narrativa.
  • Uma semana antes da tragédia, estava ao lado de minha mãe Márcia, no Rio de Janeiro, quando recebemos a notícia da morte de meu avô em um acidente automobilístico, o que, incrivelmente, ocorreria uma semana depois.
  • Portanto, os elementos reunidos ao longo dos anos indicam que o fato não pode ser analisado isoladamente do contexto político da época. Juscelino era uma das maiores lideranças civis do País, cassado pelo regime militar, perseguido politicamente e figura central da Frente Ampla em defesa da redemocratização. Em meio à repressão sistemática promovida na América do Sul, não é possível ignorar a hipótese de que ele tenha sido alvo de uma ação de Estado.
  • A família considera fundamental que o Brasil enfrente sua história com coragem e transparência. Caso a CEMDP conclua oficialmente que JK foi vítima de um atentado político, será um reconhecimento histórico necessário — não apenas para sua memória, mas para todas as vítimas da violência do Estado.
  • Esclareço ainda que hoje recebi o ofício da comissão e tomarei conhecimento integral do material encaminhado.
  • Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK e neta de Juscelino Kubitschek”

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