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O resgate da identidade: os “novos judeus” do Nordeste e a marca paraibana

O resgate da identidade: os “novos judeus” do Nordeste e a marca paraibana

Legenda da foto: Educadora Jacqueline Passy discursa na sinagoga Branca Dias, em Campina Grande

Um fenômeno religioso e identitário está transformando o mapa do judaísmo no Brasil, com um epicentro vibrante na região Nordeste. O documentário da BBC News Brasil, “Quem são os novos judeus do Brasil”, revela como ex-evangélicos e católicos estão abandonando antigas denominações para abraçar a fé de seus antepassados, os chamados cristãos-novos, que fugiram da Inquisição Ibérica nos séculos passados.

Para o público paraibano, o documentário traz um valor especial ao destacar como essa “reparação histórica” encontra raízes profundas no solo do nosso estado. A Paraíba é citada como um dos locais onde comunidades de “bnei anussim” (filhos dos forçados) estão florescendo, unindo a ancestralidade genética à prática religiosa rigorosa em pleno Sertão e periferias urbanas.

A Paraíba no mapa da resistência cultural

A narrativa jornalística aponta que, historicamente, o interior da Paraíba abrigou comunidades de cristãos-novos que, durante o século XVIII, enfrentaram perseguições severas. Registros históricos mencionados reforçam que unidades inteiras de famílias foram presas na Paraíba sob acusação de judaísmo, uma memória que agora é resgatada por descendentes que buscam, através de testes de DNA e pesquisas genealógicas, reaver sua identidade roubada.

No documentário, o cenário paraibano aparece como parte desse cinturão nordestino onde a fé judaica é vivida de forma única. Uma personagem emblemática é uma aposentada da Paraíba, cujo rosto e história exemplificam os milhões de brasileiros com sobrenomes comuns — como Silva, Rodrigues e Lopes — que carregam o “DNA de Abraão” e estão reconstruindo suas árvores genealógicas a partir de tradições familiares mantidas em segredo por gerações.

Sincretismo litúrgico: entre a Torá e Luiz Gonzaga

O movimento não se limita apenas à conversão formal; ele cria uma estética própria que dialoga diretamente com a cultura regional. Nas sinagogas do Nordeste, é comum encontrar orações milenares em hebraico adaptadas a melodias de clássicos como “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. Essa fusão demonstra que a retomada do judaísmo no Sertão não é um transplante cultural estrangeiro, mas uma simbiose entre a fé ancestral e a identidade nordestina.

Embora enfrentem resistência de setores mais ortodoxos da comunidade judaica tradicional de São Paulo e do Rio de Janeiro, esses novos grupos contam com o apoio de rabinos em Israel que veem no Nordeste uma “tribo perdida” que finalmente está voltando para casa. Para o leitor paraibano, o documentário é um convite a olhar para o próprio quintal e perceber que as rezas ouvidas hoje nas novas sinagogas do estado são ecos de vozes que a Inquisição tentou, sem sucesso, calar.


Por Redação do Movimento PB — Com informações de artigo original em português, publicado em BBC News Brasil

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