Orkut vive! Rede cearense Poosting resgata nostalgia e ataca polarização

Uma nova rede social desenvolvida no Ceará está ganhando destaque ao propor um retorno às raízes da interação digital, inspirada no saudoso Orkut. A plataforma, batizada de Poosting, já superou a impressionante marca de 4,7 milhões de contas cadastradas e se posiciona como uma alternativa robusta às gigantes globais, prometendo combater a polarização e a manipulação algorítmica.
A mente por trás da Poosting é Afonso Alcântara, de 38 anos, um especialista em redes de computadores e análise de sistemas. Sua motivação surgiu da constatação de que o Orkut, apesar de sua popularidade massiva no Brasil, “foi embora sem ter de ir”, nas palavras do próprio criador. Alcântara estudou a trajetória da antiga rede e concluiu que seu fim não se deu por falta de apelo, mas por não ser considerada “grande o suficiente” para os interesses corporativos do Google na época.
O Legado do Orkut e a Força das Comunidades
A nostalgia do Orkut é um pilar fundamental da Poosting. Uma das características mais queridas e emblemáticas da plataforma original, as comunidades, foi resgatada e aprimorada no novo projeto. Essa aposta visa recriar espaços de interação genuína, onde usuários podem se conectar por interesses em comum, longe da superficialidade e da efemeridade que muitas vezes marcam as redes atuais.
Afonso, que dirige uma agência de marketing digital há mais de uma década, percebeu as lacunas deixadas pelas grandes plataformas. “Atuamos desde quando as redes não tinham tráfego pago. Fomos estudando o que as pessoas estão querendo, e criei o Poosting baseado nessas lacunas”, explica. Essa experiência de mercado permitiu-lhe identificar as frustrações dos usuários com os modelos dominantes.
Combate à Polarização e o Feed Cronológico
A principal inovação e diferencial da Poosting reside na sua forma de entrega de conteúdo. Diferentemente das redes sociais tradicionais, que empregam algoritmos complexos para determinar o que cada usuário vê, a Poosting prioriza a entrega massiva e, acima de tudo, cronológica de posts. Isso significa que o feed de notícias exibe o conteúdo na ordem em que foi publicado, sem filtros ou curadorias algorítmicas que beneficiam determinados influenciadores ou temas.
“Não temos algoritmo de influenciador, e assim o feed está ao alcance de todo mundo. Não tem como entregar mais conteúdo de a ou b”, afirma Afonso. Essa abordagem democrática busca nivelar o campo de jogo, dando a todos os usuários a mesma visibilidade potencial e reduzindo a formação de bolhas de filtro e câmaras de eco, que são grandes catalisadores da polarização social.
O criador da Poosting aponta que um dos maiores problemas das plataformas atuais é o controle algorítmico sobre o que o usuário consome. “Nas outras redes, o algoritmo decide o que você vai ver”, diz. Ao eliminar essa interferência, a Poosting capacita o usuário a ter uma experiência mais autêntica e menos manipulada, promovendo um ambiente digital mais saudável e diversificado.
Com um crescimento exponencial e uma proposta que ressoa com a insatisfação geral em relação ao modelo atual das redes sociais, a Poosting se consolida como um experimento promissor, provando que é possível inovar e oferecer uma alternativa que prioriza a conexão humana e a liberdade de informação.
Da redação do Movimento PB.
