“Essa ideia é totalmente fora da realidade”: diz Cláudio Furtado sobre relatório dos EUA

Secretário de Ciência e Tecnologia da Paraíba questiona relatório dos EUA sobre projeto BINGO
Cláudio Furtado, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Paraíba, reagiu ao relatório do Congresso dos Estados Unidos que expressa preocupações sobre a parceria científica entre Brasil e China no projeto do radiotelescópio BINGO. Em entrevista ao programa Arapuã Verdade, Furtado classificou o relatório como “completamente fora da realidade”.
O governo estadual aguarda um posicionamento oficial do Itamaraty antes de se manifestar formalmente sobre o assunto. “O Governo do Estado está aguardando uma nota que vai sair do Itamaraty. Como é uma questão multilateral, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e o Itamaraty vão responder”, explicou Furtado.
Furtado enfatizou que, no momento, a Paraíba não tem uma posição oficial, respeitando a hierarquia institucional e as normas do multilateralismo. “Não existe nada do que está sendo colocado no relatório. O BINGO é um laboratório de pesquisa, concebido pela equipe brasileira, com participação de cientistas do país. Essa ideia levantada é totalmente fora da realidade”, argumentou.
Entenda o Relatório dos EUA
O relatório do Comitê Seleto sobre a China menciona a Serra do Urubu, em Aguiar (PB), local de instalação do radiotelescópio BINGO. O projeto é uma colaboração entre o China Electric Science and Technology Network Communication Research Institute (CESTNCRI) e as universidades federais UFCG e UFPB. O foco é a radioastronomia e a observação do espaço profundo.
O documento sugere que o CESTNCRI, integrado à base industrial de defesa da China, poderia usar tecnologias do laboratório para fins de inteligência militar e rastreamento espacial. Especialistas brasileiros refutam essa alegação, afirmando que o BINGO é um projeto científico internacional, com participação de instituições de diversos países, incluindo Brasil, China, África do Sul, Reino Unido, Suíça e França.
O BINGO é voltado exclusivamente à pesquisa cosmológica e observação astronômica, sem qualquer caráter militar. O telescópio, em construção em São Paulo, será transportado para a Serra do Urubu. Equipado com refletores parabólicos, cornetas e receptores, o BINGO permitirá mapear regiões do céu e detectar gás neutro para estudos de cosmologia de precisão.
Diálogo Contínuo e Próximos Passos
O governo da Paraíba manterá diálogo com o MCTI e aguardará as orientações do Itamaraty antes de comentar as suspeitas levantadas pelo relatório.
O Que Você Precisa Saber Sobre o Radiotelescópio BINGO
Qual o objetivo principal do projeto BINGO?
O BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) é um radiotelescópio projetado para mapear o universo e estudar as oscilações acústicas de bárions (BAO). Essas oscilações são ondulações na densidade da matéria visível do universo, causadas por ondas de som que se propagaram no plasma primordial após o Big Bang. Ao medir a distribuição dessas oscilações, os cientistas podem obter informações sobre a expansão do universo e a natureza da energia escura.
Quais instituições estão envolvidas no projeto?
O projeto BINGO é uma colaboração internacional que envolve diversas instituições de pesquisa e universidades de diferentes países. Entre os principais parceiros estão universidades e institutos de pesquisa do Brasil, China, Reino Unido e outros países. Essa colaboração global permite o compartilhamento de conhecimento e recursos, impulsionando o avanço da pesquisa em cosmologia e radioastronomia.
Há riscos de uso militar do projeto BINGO?
Especialistas garantem que o projeto é dedicado exclusivamente à pesquisa científica e observação astronômica, sem qualquer aplicação militar. A natureza aberta e colaborativa do projeto, com participação de diversas instituições de pesquisa de diferentes países, garante que os dados e descobertas sejam compartilhados livremente com a comunidade científica global, sem restrições ou sigilos que pudessem indicar um uso indevido da tecnologia.
