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Patente do Ozempic cai no Brasil, mas barateamento esbarra na burocracia

Patente do Ozempic cai no Brasil, mas barateamento esbarra na burocracia
Patente do Ozempic cai no Brasil, mas barateamento esbarra na burocracia

O descompasso entre a lei e as prateleiras

A expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, nesta sexta-feira (20), marca um ponto de inflexão para o mercado farmacêutico brasileiro. No entanto, o consumidor que espera uma redução drástica nos preços encontrará um cenário de resistência. Apesar da liberdade de fabricação, o chamado “Ozempic brasileiro” enfrenta um gargalo que mistura lentidão regulatória e estratégias comerciais agressivas da detentora original, a dinamarquesa Novo Nordisk.

A fila da Anvisa e o entrave industrial

O primeiro obstáculo é burocrático. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 14 pedidos de produção e importação da substância. Contudo, o ritmo é lento: a agência prevê conceder apenas três autorizações por semestre, um cronograma que pode empurrar a normalização da concorrência para o final de 2027. A EMS, gigante nacional do setor, estima que suas versões só cheguem às farmácias no segundo semestre de 2026, pelo menos 90 dias após a obtenção do registro.

  • 14 pedidos de produção em análise na Anvisa.
  • Lançamentos comerciais previstos apenas para o segundo semestre.
  • Produção local da Novo Nordisk em Minas Gerais para manter competitividade.

Por que o desconto será menor que o esperado

Diferente do que ocorre com os medicamentos genéricos, que exigem um desconto mínimo de 35%, a maioria das empresas brasileiras optou pelo registro de medicamentos similares. Nesta categoria, a obrigatoriedade de desconto cai para 20%. Na prática, isso significa que o valor de tabela, hoje em torno de R$ 1.300,00, dificilmente baixará de R$ 1.000,00 nos primeiros meses de concorrência. Analistas do Itaú BBA projetam que uma queda real de 50% nos preços só ocorra em um horizonte de cinco anos, quando o mercado estiver saturado de competidores.

A reação da Novo Nordisk

A Novo Nordisk não assiste à queda da patente passivamente. O Brasil é o oitavo maior mercado da empresa no mundo, movimentando cerca de R$ 12 bilhões anuais no segmento de canetas emagrecedoras. Para proteger sua fatia de mercado, a farmacêutica passará a produzir o medicamento em solo nacional, em Minas Gerais, eliminando custos de importação e permitindo manobras de desconto que podem asfixiar os novos concorrentes brasileiros antes mesmo de ganharem escala.

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Perguntas Frequentes

Q: O Ozempic já ficou mais barato com a queda da patente?
A: Não imediatamente. Embora a patente tenha caído, as farmacêuticas brasileiras ainda dependem de registros da Anvisa para iniciar as vendas, o que deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2026.

Q: Qual a diferença entre o Ozempic original e o similar brasileiro?
A: Ambos possuem o mesmo princípio ativo (semaglutida). A diferença principal é que o similar tem marca própria e embalagem personalizada, enquanto o original é o medicamento de referência. Em termos de eficácia, devem ser equivalentes.

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