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Preppers: A vida de quem se prepara para o colapso da civilização

Preppers: A vida de quem se prepara para o colapso da civilização
Leigh Price, um prepper, acredita que a entrega de compras de supermercado na porta de casa deixou as pessoas menos preparadas para desastres.

O mundo do prepping, a prática de se preparar para emergências e potenciais colapsos da civilização, vai muito além de estereótipos de bunkers e kits apocalípticos. No interior do País de Gales, indivíduos como Leigh Price, 51 anos, demonstram que a preparação é, na verdade, uma resposta pragmática a ameaças reais e crescentes.

Prevenção de Ameaças Reais

Leigh Price, proprietário de uma loja especializada em equipamentos de sobrevivência e instrutor de cursos de sobrevivência, desmistifica a imagem do ‘maluco de chapéu de alumínio’. Ele argumenta que, embora existam indivíduos que se encaixem nesse perfil, a maioria dos preppers no Reino Unido se concentra em cenários mais prováveis do que um ataque nuclear. “É melhor você se preparar para as coisas que têm mais probabilidade de acontecer”, afirma Price. Ele cita como principais ameaças os ataques cibernéticos que podem paralisar a rede elétrica nacional, levando a sociedade de volta à Idade da Pedra, e as consequências do pânico generalizado, como saques e conflitos.

A ideia de ‘correr para as colinas’ como Rambo é um erro comum, segundo Price. Ele enfatiza a importância de defender o local atual ou de se deslocar para um refúgio seguro. Ao contrário da crença popular, preppers não são necessariamente pessoas isoladas com arsenais, mas sim indivíduos comuns, de diversas origens, que mantêm suprimentos básicos para sobreviver por semanas sem depender de supermercados ou do governo.

Price submeteu a repórter Rowenna Hoskin a um teste de preparação, atribuindo-lhe 7/10. A familiaridade com compras em maior escala e equipamentos de acampamento foram pontos positivos, mas a recomendação foi clara: investir em um kit de primeiros socorros mais robusto, um filtro de água e um estoque de alimentos significativamente maior.

Influência da Pandemia e Comunidade

A pandemia de COVID-19 impulsionou o interesse pelo prepping. Leigh Price, que já praticava a preparação como ‘bom senso’, abriu sua loja após o lockdown para se precaver contra futuras crises. Ele vê a prática não como uma obsessão, mas como uma hora semanal de verificação de equipamentos, garantindo que tudo esteja em ordem. A loja, localizada em uma área rural, oferece vantagens como acesso à água de poço artesiano, que pode ser purificada com seus equipamentos.

A filosofia de Price é abrangente: “Eu não me preparo para uma coisa específica, por assim dizer. Sempre penso que, se você está devidamente preparado e tem tudo organizado em casa, não importa o que aconteça, você consegue lidar com isso.” Ele também destaca a importância da comunidade. “Prosperamos como espécie humana vivendo juntos; ninguém vai sobreviver sozinho fugindo para a natureza. Em uma situação extrema, é melhor trabalharmos juntos.” Atualmente, encontros de preppers se tornaram mais frequentes no País de Gales.

Donna Lloyd, 60 anos, compartilha essa visão comunitária. Após uma queda de energia durante o lockdown, que a impediu de fazer um simples chá, ela decidiu se preparar melhor. Lloyd armazena água, alimentos enlatados, comida liofilizada, itens básicos de higiene e um kit de primeiros socorros. Ela também enfatiza que o universo do prepping abrange um espectro, desde aqueles com bunkers até os que carregam apenas itens essenciais na bolsa, como uma ferramenta multiuso no formato de cartão.

Aprender habilidades como fazer fogo, segundo Lloyd, não é apenas sobre a técnica, mas sobre desenvolver confiança e a capacidade de lidar com situações inesperadas. O prepping, para ela e Price, não é um hobby mórbido, mas uma forma de se sentir mais confiante e segura. A máxima “é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter” resume a essência dessa prática.

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