Economia

Shopee e Mercado Livre Lideram Compras Internacionais no Brasil

Shopee e Mercado Livre Lideram Compras Internacionais no Brasil
Shopee e Mercado Livre Lideram Compras Internacionais no Brasil

A Shopee e o Mercado Livre consolidaram-se como as plataformas de comércio eletrônico internacionais preferidas pelos brasileiros. Um levantamento recente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indica que, entre junho de 2024 e junho de 2025, 96% dos consumidores nacionais realizaram compras em sites estrangeiros, mesmo diante da polêmica “taxa das blusinhas”.

Preferências dos Consumidores Online

Os dados da CNDL revelam que a Shopee é a escolha de 72,8% dos entrevistados, seguida de perto pelo Mercado Livre, com 63% de preferência. Outras plataformas populares incluem a Amazon (38,5%), Shein (37,1%), AliExpress (9,1%) e Temu (8,9%).

A pesquisa, realizada entre 13 e 25 de junho de 2025, ouviu 1.094 pessoas. Deste total, 800 que haviam comprado em sites internacionais nos 12 meses anteriores foram questionados sobre suas plataformas preferidas. A margem de erro da pesquisa varia entre 2,96 e 3,46 pontos percentuais.

O Impacto da “Taxa das Blusinhas”

Apesar da vigência da chamada “taxa das blusinhas”, que zerou o imposto de importação de 20% para compras de até US$ 50, a preferência por plataformas internacionais se manteve alta. A medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de maio de 2026 e com validade inicial de 120 dias, entrou em vigor em 1º de agosto de 2024. No entanto, a cobrança do ICMS, que varia por estado, permanece inalterada.

No comparativo entre 2024 e 2025, o percentual de brasileiros que compraram em sites internacionais apresentou uma leve queda, de 97,6% para 95,8%. Em contrapartida, o número de consumidores que optaram por sites nacionais sofreu uma redução mais expressiva, caindo de 89% para 70,9% no mesmo período.

Reações do Setor Produtivo

A decisão de zerar o imposto de importação gerou fortes reações de entidades industriais e de varejo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que a medida concede vantagem a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional, com potencial impacto negativo sobre micro e pequenas empresas e geração de empregos.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação como “extremamente equivocada”, argumentando que a decisão amplia a desigualdade tributária e prejudica empresas brasileiras. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) repudiou a medida, considerando-a um “grave retrocesso econômico” e um ataque à indústria nacional.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a decisão, destacando que a falta de tributação para importados cria uma competição desleal com o comércio formal brasileiro, afetando empregos e a produção nacional.

É importante notar que a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei. Caso contrário, o imposto original pode retornar.

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