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Startup ‘Lovable’ redefine marketing com produto viral e ignora o Vale do Silício

Startup ‘Lovable’ redefine marketing com produto viral e ignora o Vale do Silício
Startup ‘Lovable’ redefine marketing com produto viral e ignora o Vale do Silício

A startup que virou unicórnio fora do radar

A Lovable, uma startup de Estocolmo, provou que o marketing mais eficiente começa com um produto excepcional. Avaliada em US$ 6,6 bilhões, a empresa transformou o uso em distribuição, permitindo que usuários criem aplicativos funcionais em minutos e compartilhem o link, sem necessidade de habilidades técnicas.

Fundada fora dos centros tecnológicos tradicionais como San Francisco, Nova York e Londres, a Lovable captou US$ 330 milhões em uma Série B em dezembro, após uma Série A de US$ 200 milhões em julho, que já a havia avaliado em US$ 1,8 bilhão. Com mais de 8 milhões de usuários e cerca de US$ 200 milhões em receita recorrente anual em menos de dois anos, seus fundadores suecos se tornaram bilionários antes dos 40 anos.

Produto como canal de marketing

A Lovable cresceu entregando a sensação de que qualquer pessoa pode criar um aplicativo funcional rapidamente. Esse mecanismo transformou o produto em um canal de marketing, onde o boca a boca impulsiona o crescimento. A empresa inverteu a lógica tradicional: primeiro entrega valor, depois captura a atenção que vem junto.

Essa abordagem é semelhante ao que a OpenAI fez com o ChatGPT, criando uma marca global impulsionada pelo uso recorrente em vez de grandes investimentos em mídia. O ciclo é simples: a criação rápida gera provas, a prova gera curiosidade, a curiosidade vira uso, e o uso atrai novos usuários.

Por que não no Vale do Silício?

O Vale do Silício continua sendo um centro para captação de capital e talento, mas também é um ambiente de alta competitividade e ruído. A Lovable precisava de continuidade e foco para transformar sua promessa em hábito. Estocolmo ofereceu a combinação certa de engenharia forte, disciplina e um ambiente institucional que reduz o custo de assumir riscos.

A Lovable optou por construir de casa, focando em produto, retenção de time e ambição global. Em ambientes menos saturados, os times tendem a permanecer mais tempo, acumulando memória no produto e acelerando o valor para os usuários.

O padrão que se repete

O caso da Lovable não é único. Empresas como Shopify (Ottawa), Qualtrics (Provo) e Duolingo (Pittsburgh) também prosperaram fora dos grandes centros. Na América Latina, o Inter (Belo Horizonte) e a MadeiraMadeira (Curitiba) são exemplos de empresas que construíram cultura forte e talento antes de buscar os holofotes.

Enquanto capital, vendas e relações institucionais permanecem concentrados nos grandes centros, engenharia e produto prosperam onde o talento permanece e a rotatividade não destrói a memória do time. No final, a continuidade é o ativo mais valioso.

Da redação do Movimento PB.

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