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Tecnopolitica: Por que a Esquerda Perde a Corrida Tecnológica para a Extrema Direita

Tecnopolitica: Por que a Esquerda Perde a Corrida Tecnológica para a Extrema Direita

Da redação do Movimento PB, com base na leitura do livro de Giuliano Da Empoli

No cenário político contemporâneo, a tecnologia deixou de ser uma ferramenta acessória para se tornar o próprio ecossistema onde o poder é disputado. Como bem analisa Giuliano Da Empoli em “Os Engenheiros do Caos”, os novos líderes populistas não buscam mais a adesão por meio de programas ideológicos tradicionais, mas sim através da manipulação de algoritmos e da capitalização do ressentimento. Enquanto a extrema direita consolidou uma hegemonia técnica, transformando a política em um espetáculo de algoritmos, a esquerda ainda tateia em busca de uma linguagem que rompa bolhas sem sacrificar a complexidade de suas pautas.


A Tecnopolítica e a Lógica do Caos

A política moderna é indissociável da tecnologia. O conceito de tecnopolítica descreve como as inovações digitais transformaram a interação entre cidadãos e representantes. No entanto, essa infraestrutura não é neutra. Os “engenheiros do caos” (os estrategistas por trás dos movimentos de direita radical ) compreenderam que, na era das redes sociais, a verdade é secundária em relação ao engajamento. O objetivo não é convencer o eleitor pelo intelecto, mas mobilizá-lo pela emoção do instinto.

Nesse ambiente a tecnologia amplia e distorce ideias de forma deliberada. A lógica da economia da atenção, baseada em algoritmos que privilegiam a ira e o conflito, favorece discursos que se alimentam da desordem. Para os novos estrategistas digitais o caos não é um efeito colateral, mas a própria ferramenta de trabalho para desestabilizar o establishment e as instituições democráticas tradicionais.


Cases de Sucesso: A Vanguarda Técnica da Direita Radical

A eficiência da extrema direita na tecnologia não é fruto do acaso, mas de uma experimentação que une Big Data e psicologia comportamental. Casos como o da Cambridge Analytica, cruciais no Brexit e na vitória de Donald Trump, mostram como a ciência de dados foi usada para identificar as fraquezas emocionais de cada eleitor. No Brasil, esse modelo foi aprimorado com o uso de redes descentralizadas no WhatsApp e Telegram, criando um fluxo de informação ininterrupto que as instituições de esquerda não conseguiram interceptar.

Diferente das campanhas de esquerda, que muitas vezes tentam falar com “o povo” de forma genérica, os engenheiros do caos operam em redes de micro comunidades. Eles alimentam nichos específicos com narrativas personalizadas. Se um grupo está preocupado com segurança e outro com valores religiosos, ambos receberão conteúdos distintos, muitas vezes contraditórios entre si, mas unificados pelo mesmo “sentimento de revolta”.


O Dilema da Esquerda: Complexidade versus Algoritmo

A dificuldade da esquerda em dominar o campo digital reside em fatores estruturais. O discurso progressista é inerentemente plural e pedagógico. Explicar reformas estruturais ou justiça social exige um tempo de tela que o algoritmo, desenhado para a rapidez do meme, raramente concede. Enquanto a extrema direita oferece soluções simples para problemas complexos, a esquerda tenta dialogar sobre nuances, o que raramente gera a viralização necessária para pautar o debate público.

Além disso há um conflito ético. A esquerda, historicamente ligada ao racionalismo, enfrenta resistência para adotar táticas de “guerrilha digital” que utilizam a desinformação como arma. Os estrategistas da direita, por outro lado, operam sob a lógica do físico e matemático: se a realidade não se encaixa na narrativa que gera engajamento, altera-se a percepção da realidade. Essa assimetria deixa o campo progressista em uma posição defensiva, reagindo a crises criadas por algoritmos que eles ainda não aprenderam a controlar.


Para compreender profundamente como essa mecânica funciona e por que a política se transformou em uma guerra de narrativas digitais, a leitura da obra Os Engenheiros do Caos, de Giuliano Da Empoli, é indispensável. O livro revela os bastidores de como físicos, matemáticos e especialistas em dados se tornaram os novos arquitetos do poder global, transformando nossas redes sociais no maior campo de batalha político da história.

Este artigo foi criado pela nossa redação após a releitura da obra de Da Empoli.

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