Ex-diretor da Globo Critica Silvio Santos: “Santo Só no Sobrenome”

Luis Erlanger, ex-diretor da Globo, criticou duramente Silvio Santos após sua morte, destacando suas ações controversas e apoio à Ditadura Militar.


O ex-diretor da Globo, Luis Erlanger, fez duras críticas a Silvio Santos (1930-2024) após o falecimento do icônico apresentador. Em uma postagem nas redes sociais, Erlanger destacou diversas atitudes polêmicas de Silvio, como seu apoio à Ditadura Militar (1964-1985) e conflitos com figuras como Zé Celso (1937-2023). “Um dos ícones da nossa TV. Mas santo só no sobrenome”, afirmou o jornalista.

Erlanger ressaltou que, no Brasil, a morte frequentemente vem acompanhada de “anistia automática” e bajulação. Apesar de reconhecer Silvio Santos como um dos maiores nomes da televisão brasileira, o ex-diretor destacou que preferia o estilo de Chacrinha (1917-1988), outro grande comunicador da época.

O jornalista também criticou o famoso “Baú da Felicidade”, presenteado a Silvio, chamando-o de “picaretagem”. Além disso, Erlanger mencionou a criação da Tele Sena, que ele classificou como “um modelo de aposta proibido disfarçado de título de capitalização”.

Outro ponto levantado foi a carreira política de Silvio Santos, que só não se candidatou à presidência da República porque foi considerado inelegível. Erlanger também destacou o apoio de Silvio a todos os presidentes, e o descreveu como um “office boy de luxo do governo”, de qualquer governo. Ele comparou Silvio a Roberto Marinho (1904-2003), outro magnata da comunicação que apoiou o golpe militar.

Erlanger recordou que Silvio admitiu ter recebido seu canal de TV das mãos do general-ditador Figueiredo (1918-1999) e que, durante a ditadura, transmitia campanhas com o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Já no governo Bolsonaro, Silvio reintroduziu o programa “A Semana do Presidente”, um formato semelhante ao da época militar.

O ex-diretor também mencionou o escândalo financeiro envolvendo o banco Panamericano em 2010, onde operações fraudulentas de R$ 4,3 bilhões foram descobertas. Apesar disso, Silvio não perdeu patrimônio nem a concessão pública do SBT. Além disso, Erlanger acusou Silvio de ter plagiado o formato do “Big Brother Brasil” com a “Casa dos Artistas” e criticou sua postura em um conflito com Zé Celso e o Teatro Oficina.

A postagem gerou divisões nas redes sociais. Enquanto a atriz Elisa Lucinda elogiou a postura “sincera e corajosa” de Erlanger, outros, como o ator Augusto Madeira e o jornalista Charles Daves, expressaram discordância, defendendo Silvio Santos como um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira.


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