Saúde

Você tem o ‘Sinal de Frank’? Marca na orelha pode ser alerta para infarto

Você tem o ‘Sinal de Frank’? Marca na orelha pode ser alerta para infarto
Você tem o ‘Sinal de Frank’? Marca na orelha pode ser alerta para infarto

A morte precoce do influenciador Henrique Maderite, vítima de infarto, acendeu um alerta sobre o chamado ‘Sinal de Frank’. Essa prega diagonal no lóbulo da orelha tem sido objeto de estudo há décadas devido à sua possível ligação com doenças cardiovasculares, gerando curiosidade e, por vezes, preocupação.

O que é o ‘Sinal de Frank’?

Descrito pela primeira vez em 1973 por um pneumologista americano, o ‘Sinal de Frank’ é uma fissura diagonal que atravessa o lóbulo da orelha. A observação inicial apontou uma associação entre essa característica física e a presença de doença coronariana, condição em que placas de gordura se acumulam nas artérias do coração, prejudicando o fluxo sanguíneo.

É crucial entender que o sinal não é um diagnóstico definitivo, mas sim um potencial indicador. Médicos enfatizam que ele nunca deve ser interpretado isoladamente ou causar pânico, mas pode justificar uma avaliação clínica mais aprofundada. A intensidade da prega varia, e o cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho e líder da cardiologia da Rede Américas, menciona classificações por graus, sendo o mais acentuado aquele que quase divide o lóbulo.

A Conexão com o Coração

A correlação entre o ‘Sinal de Frank’ e problemas cardíacos foi estabelecida por estudos clínicos que compararam a presença da marca com exames como o cateterismo, capaz de detectar obstruções nas artérias coronárias. Essas pesquisas revelaram uma associação estatística significativa.

A explicação mais aceita para essa ligação reside na aterosclerose, uma doença caracterizada pelo acúmulo de gordura e inflamação nas paredes das artérias. Como explica Carlos Eduardo Abrahão, médico do serviço de cardiologia e de cirurgia cardiovascular do Hospital São Vicente de Paulo, a aterosclerose pode levar a eventos graves como infarto, AVC e doença vascular periférica.

Estudos de autópsia indicam que a região da orelha com a prega exibe degeneração de pequenos vasos, alterações nervosas e perda de colágeno – mudanças semelhantes às observadas em artérias doentes, sugerindo um envelhecimento vascular precoce ou acelerado.

Idade e Outros Fatores

A relevância do ‘Sinal de Frank’ é maior em pessoas mais jovens. Dr. Lima aponta que, com o envelhecimento natural, a perda de colágeno pode causar a prega mesmo sem doença coronariana. Por isso, em pacientes abaixo de 60 anos, a presença do sinal é mais valorizada como um potencial alerta.

Embora o ‘Sinal de Frank’ tenha baixa sensibilidade (muitas pessoas com doença coronariana não o apresentam), sua boa especificidade significa que, quando ausente, o risco de doença tende a ser menor. Sua principal utilidade é incentivar a investigação. Se você notar o sinal, a recomendação é procurar um clínico para uma avaliação adicional, especialmente se houver outros fatores de risco.

Entretanto, o uso cultural de brincos pode dificultar a leitura do sinal, especialmente em mulheres, onde a perfuração ou o peso dos acessórios podem criar dobras semelhantes no lóbulo.

Outras Pistas na Orelha e o Debate Médico

Não apenas o ‘Sinal de Frank’ tem sido estudado. A prega anterotragal, localizada próxima ao tragus (a saliência da orelha mais próxima do rosto), também entra na conta. Um estudo brasileiro da Unesp de Botucatu revelou uma associação ainda mais forte com doença coronariana quando ambas as pregas estavam presentes, elevando o valor preditivo positivo para cerca de 90% em alguns casos. Essas alterações reforçam a ideia de uma doença vascular sistêmica, onde sinais periféricos podem refletir problemas nas artérias do coração, cérebro e pernas.

Apesar das evidências, a relação entre o ‘Sinal de Frank’ e o infarto ainda gera controvérsia. A acurácia varia entre os estudos, impedindo seu uso como critério diagnóstico formal. Alguns especialistas o consideram um epifenômeno do envelhecimento, onde tanto a prega quanto a doença coronariana aumentam com a idade, sem uma relação causal direta. Contudo, Dr. Abrahão defende que o sinal é um achado clássico da clínica médica, desde que interpretado em conjunto com outros fatores de risco. Para Dr. Lima, mesmo com limitações, o sinal cumpre um papel importante se levar as pessoas a cuidarem mais da saúde.

O Que Fazer e a Importância da Prevenção

Notar o ‘Sinal de Frank’ não é uma sentença de infarto iminente. A ação recomendada é buscar avaliação médica, principalmente se você já possui outros fatores de risco, como colesterol alto, diabetes, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardíacas.

Exames complementares como Doppler de carótidas, tomografia das coronárias e uma avaliação clínica completa podem ser indicados para identificar aterosclerose ainda silenciosa. Outros sinais físicos simples, como os xantelasmas (bolinhas amareladas nas pálpebras) e xantomas nos tendões, também podem indicar alterações no colesterol, como explica Dr. Abrahão.

O principal recado é a prevenção. Identificar fatores de risco precocemente permite mudanças no estilo de vida, controle de doenças crônicas e, consequentemente, a redução significativa do risco de infarto e AVC ao longo dos anos.

Da redação do Movimento PB.

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