Internacional

Agostina, a argentina que imitou macaco, quebra o silêncio sobre polêmica no Brasil: “estou com medo”

A turista argentina Agostina Páez, protagonista de um incidente que ganhou rápida repercussão nas redes sociais e na imprensa brasileira, apresentou sua versão dos fatos em entrevista exclusiva ao jornal El Liberal. A jovem, natural de Santiago del Estero, sustenta que as imagens viralizadas não refletem a totalidade do ocorrido e denuncia ter sido vítima de assédio e provocações por parte da equipe do estabelecimento noturno antes de sua reação.

Segundo o relato de Páez, a noite em uma casa noturna brasileira transcorria normalmente até o momento da saída. Ao tentarem deixar o local, ela e suas amigas foram retidas pela segurança sob a alegação de que existiam itens não pagos em suas comandas de consumo. A argentina é enfática ao negar qualquer irregularidade financeira: “Nós havíamos pago tudo no momento. Tenho os comprovantes de tudo, com os horários e detalhes”. A situação, descrita por ela como uma acusação injusta de roubo, gerou um primeiro momento de tensão, onde, mesmo diante dos protestos e do pagamento duplicado para evitar maiores problemas, o grupo teria sido alvo de escárnio.

Denúncias de assédio e a escalada do conflito

O ponto crítico da narrativa da defesa reside no comportamento dos funcionários do estabelecimento após o acerto de contas. Agostina relata que, enquanto o grupo descia as escadas para deixar o local, foi perseguido por trabalhadores que adotaram posturas obscenas e intimidatórias. De acordo com seu depoimento, os homens faziam gestos tocando os próprios genitais, apontavam para as jovens e riam, criando um ambiente de hostilidade e insegurança.

Foi nesse contexto de “euforia e bronca”, conforme descreve, que ocorreu o gesto capturado em vídeo. A jovem alega que não percebeu que estava sendo filmada e que sua reação — que ela classifica como “a pior possível” — foi direcionada às amigas como uma forma de desabafo diante das provocações, e não diretamente aos funcionários. “Eles estavam o tempo todo buscando nos provocar, se tocavam entre eles para rir da nossa cara”, explicou, demonstrando arrependimento pela forma como reagiu, mas reiterando que a ação foi uma resposta a um abuso prévio.

Consequências judiciais e restrição de liberdade

A repercussão do caso trouxe consequências severas para a argentina. Atualmente, Agostina encontra-se isolada em um apartamento, temendo pela sua segurança após receber inúmeras ameaças devido à exposição de seu nome e imagem na mídia brasileira. O medo é palpável em seu discurso: “Estou morta de medo, literalmente”. A jovem optou por encerrar suas contas em redes sociais para mitigar o assédio virtual que vem sofrendo.

No âmbito jurídico, a situação é delicada. Embora permaneça com seu Documento Nacional de Identidade (DNI), Páez está impedida de deixar o Brasil. As autoridades foram claras ao alertar que qualquer tentativa de embarque resultaria em prisão imediata. O processo seguirá com a acusada em liberdade, porém sob estrita vigilância do Estado. “Vão colocar uma tornozeleira eletrônica em mim na próxima semana”, revelou Agostina, confirmando a gravidade com que a justiça brasileira está tratando o episódio e as medidas cautelares impostas para garantir sua permanência no país durante o trâmite legal.


Por Redação do Movimento PB — Com informações de artigo original em espanhol, publicado em El Liberal

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