China expande secretamente arsenal nuclear, revela análise

Imagens de satélite e análise de documentos governamentais chineses revelam uma massiva e secreta expansão da infraestrutura de armas nucleares da China. A investigação, que começou com a aparente expropriação de terras de moradores em Sichuan sob o pretexto de “segredo de Estado”, aponta para a construção de instalações de produção de armas nucleares de ponta.
Expansão sem precedentes em Sichuan
Na província de Sichuan, aldeias foram demolidas para dar lugar a novas construções. Uma estrutura proeminente, descrita como uma enorme cúpula em formato de bala, com o tamanho equivalente a 13 quadras de tênis, foi erguida em menos de cinco anos. Especialistas indicam que suas características, como concreto reforçado, aço, monitores de radiação e portas blindadas, são projetadas para conter materiais altamente radioativos como urânio e plutônio.
Esta instalação, designada XTJ0001 em documentos oficiais, está conectada por estradas recém-reformadas a pelo menos outras três bases de armas nucleares na região de Zitong. Outra instalação, o Sítio 931, também se expandiu para vilas vizinhas, resultando em mais despejos.
Modernização e capacidade estratégica
A expansão em Sichuan corrobora alegações recentes dos Estados Unidos sobre a mais significativa campanha de modernização nuclear chinesa em décadas. O arsenal nuclear da China, que já ultrapassou o da França por volta de 2020, é o que mais cresce no mundo, embora ainda atrás dos EUA e Rússia em número de ogivas. No entanto, especialistas alertam que a quantidade pode ser menos relevante do que as capacidades desenvolvidas.
O Pentágono aponta que a China desenvolveu sistemas de alerta antecipado e que a expansão de seu arsenal visa atuar como dissuasor em cenários como uma potencial invasão a Taiwan, desencorajando a intervenção ocidental.
Dúvidas e receios globais
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou não ter conhecimento da situação mencionada, enquanto o Ministério da Defesa não respondeu aos pedidos de comentário. Pequim mantém uma postura oficial de autodefesa e política de não primeiro uso de armas nucleares.
Contudo, os projetos incomuns das instalações levantam dúvidas sobre as verdadeiras intenções chinesas. Analistas expressam receio de uma nova corrida armamentista, mais complexa que a da Guerra Fria, com a China como terceira grande potência nuclear. Há também a preocupação de que os EUA possam superestimar as capacidades chinesas, levando a uma escalada desnecessária.
Analistas como Jeffrey Lewis sugerem que a política externa dos EUA, particularmente em relação ao Irã, pode inadvertidamente encorajar a China a expandir ainda mais seu programa nuclear. A visita de Donald Trump a Pequim, em meio a negociações para um novo acordo de redução de armas que incluiria a China, ocorre em um momento crítico, com a China possivelmente em uma posição vantajosa devido ao avanço de sua infraestrutura e ao controle de Xi Jinping sobre as forças armadas.
