China e Irã Usam Memes e IA para Provocar Trump

Em meio ao crescente conflito no Oriente Médio, China e Irã intensificaram uma campanha de desinformação e escárnio contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizando memes e vídeos gerados por inteligência artificial (IA) que viralizam em plataformas chinesas. A situação é notável, considerando o rigoroso sistema de censura digital da China.
Vídeos de IA Ridicularizam Ataque a Escola Iraniana
Um dos conteúdos mais contundentes é um vídeo de animação por IA, supostamente originado da embaixada iraniana em Pequim. A peça satiriza o ataque à escola em Minab, que autoridades locais afirmaram ter resultado na morte de 168 pessoas, a maioria crianças. Inicialmente, Trump sugeriu o envolvimento iraniano, mas investigações posteriores do Pentágono indicaram um erro de mira de um míssil Tomahawk americano como a causa do incidente. No vídeo, figuras demoníacas que representam os pensamentos de Trump o incitam a mentir quando questionado por jornalistas sobre o ataque, levando-o a negar veementemente o ocorrido e a existência de mísseis Tomahawk americanos.
A jornalista Will Ripley, baseada em Taiwan, observou que Pequim tem permitido a disseminação desses vídeos, capitalizando o momento para condenar a guerra e se posicionar moralmente superior. Essa estratégia visa reforçar a narrativa de que Trump é desonesto e malévolo, enquanto a censura governamental é flexibilizada para conteúdos que criticam os EUA.
Sátira da Soberania Americana
Outro clipe de IA amplamente compartilhado na China retrata os Estados Unidos como uma águia de terno e gravata, responsável por uma explosão e por aprisionar outras nações, simbolizadas como pombas, sob o pretexto de “manter todos seguros”. A águia justifica a ação com a frase: “Relaxem, às vezes a segurança vem com um pouco de controle”.
Essa onda de sátiras ocorre paralelamente ao adiamento da visita de Trump à China, prevista para o final de março, onde se encontraria com o presidente Xi Jinping. A China, assim como outras nações, tem ignorado os apelos de Trump por cooperação para reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o fornecimento de petróleo e gás, que foi bloqueado pelo Irã, causando um aumento abrupto nos preços globais de energia.
Ironia sobre o Bloqueio do Estreito de Ormuz
Um vídeo divulgado pela Iran Military Media mostra Trump em uma situação de vulnerabilidade, pedindo ajuda para reabrir o Estreito de Ormuz com uma placa improvisada. Líderes mundiais passam por ele rindo e cantando “Row, row, row your boat”, uma clara zombaria da sua incapacidade de resolver a crise.
Além dos vídeos, cartuns na mídia estatal chinesa também ironizam o papel de Trump na alta dos preços do petróleo. Uma “onda” de memes e vídeos nas redes sociais chinesas ridiculariza um círculo de oração que ocorreu durante um recente encontro de Trump com líderes cristãos no Salão Oval da Casa Branca.
Propaganda e Referências Culturais
O Irã também utilizou a máquina de propaganda. Um vídeo da agência estatal iraniana retrata Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu como figuras de Lego. Intitulado “Narrativa de Vitória”, o vídeo sugere uma distração com o dossiê Jeffrey Epstein, culminando com Trump apertando um botão vermelho para lançar um míssil, supostamente para desviar a atenção do conteúdo dos arquivos. As imagens finais fazem alusão ao ataque à escola em Minab.
Curiosamente, a própria administração Trump tem empregado táticas semelhantes, usando memes e referências da cultura pop para atacar oponentes. Postagens oficiais da Casa Branca incluíram vídeos de detonação de mísseis combinados com imagens de “Bob Esponja” e animações que comparam oficiais iranianos a pinos de boliche. Um post após o ataque em Minab utilizou montagens de filmes como “Top Gun” e “Tropic Thunder” sob o título “Justiça à Maneira Americana”.
