Delegação brasileira denuncia bloqueio a Cuba e resistência socialista

Uma delegação brasileira do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) retornou ao país após uma semana de atividades em Cuba, onde testemunhou a severidade do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e a resiliência do povo cubano. Amanda Harumy, membro da Comissão de Relações Internacionais do PCdoB, relatou em entrevista os desafios enfrentados pela ilha, especialmente a crise energética, e as articulações internacionais para mitigar os efeitos do cerco.
Crise Energética e Bloqueio Intenso
Harumy descreveu a situação em Cuba como de “sanção física”, onde o acesso a bens essenciais é drasticamente limitado. O corte no fornecimento de combustível pela Venezuela e as restrições à ajuda humanitária da Rússia e do México agravaram uma crise energética que afeta serviços básicos como iluminação pública, coleta de lixo e o funcionamento de universidades. “Existem sanções que já duram 60 anos, mas hoje há uma sanção física: nada entra na ilha”, afirmou Harumy, ressaltando o impacto direto na vida cotidiana dos cubanos.
Resistência e Fundamentos Socialistas
Apesar das adversidades materiais, Harumy enfatizou a força da consciência política do povo cubano. “Eles dizem: somos um povo revolucionário, estamos sob ataque imperialista”, relatou. Ela fez questão de diferenciar a crise material da falência do projeto socialista, argumentando que os fundamentos e direitos socialistas permanecem intactos. “Cuba não é uma sociedade colapsada. Os direitos, os conceitos e os fundamentos socialistas ainda existem”, defendeu.
Ajuda Humanitária e Cooperação Energética
A Caravana Nossa América, composta por cerca de 600 pessoas de 33 países, levou aproximadamente 20 toneladas de ajuda material, incluindo medicamentos, suprimentos médicos, alimentos e equipamentos como lâmpadas solares e power banks. Harumy destacou a emoção de ver as doações chegando a hospitais cubanos. A delegação também mencionou o envio de placas fotovoltaicas por via marítima, uma iniciativa crucial para a autonomia energética da ilha, onde a energia solar já representa 50% da eletricidade, com cooperação tecnológica chinesa.
A Flotilha Nuestra América para Havana, com partida do México, trará mais alimentos, medicamentos e painéis solares, com a expectativa de chegar à ilha nos próximos dias. “Ela não vai resolver todos os problemas, mas vai furar o bloqueio e mostrar que, com vontade política, é possível romper o cerco ilegal”, avaliou Harumy sobre a importância simbólica e prática da flotilha.
Articulação Internacional e Pressão no Brasil
A Conferência Internacional de Solidariedade a Cuba reuniu representantes de mais de 30 países, incluindo figuras como o ex-líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn e o político espanhol Pablo Iglesias. Harumy mencionou a perseguição a movimentos sociais nos EUA que apoiam Cuba e Palestina, atribuindo-a à política externa do governo Trump. A delegação brasileira também se reuniu com o embaixador do Brasil em Cuba para discutir ações concretas do governo federal.
“O Brasil está enviando 20 mil toneladas de alimentos, mas a logística de distribuição esbarra na falta de combustível. A questão energética é central”, alertou Harumy, sublinhando a necessidade de apoio logístico e energético. Ela conectou a situação cubana ao cenário político brasileiro, vendo o ataque a Cuba como parte de uma estratégia de Trump contra a América Latina, que se reflete na luta contra a extrema direita no Brasil.
Solidariedade como Ferramenta Política
Para Harumy, a missão em Cuba reforça a importância da solidariedade como uma arma política. Ela defendeu a necessidade de articular ajuda humanitária governamental, cooperação energética e diplomacia ativa. “Defender Cuba é defender a soberania da América Latina”, concluiu, enfatizando que a defesa da ilha caribenha transcende o gesto pontual e se insere em um contexto maior de soberania regional.
