Londres: Centenas de Milhares Marcham Contra a Extrema-Direita

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do centro de Londres neste sábado em uma manifestação massiva contra a extrema-direita, descrita pelos organizadores como o maior protesto do tipo na história britânica. A marcha, intitulada “Together Alliance”, reuniu cerca de meio milhão de participantes, segundo estimativas dos organizadores, embora a polícia metropolitana tenha registrado aproximadamente 50.000 pessoas, citando a dificuldade em contabilizar a multidão dispersa.
União Diversa Contra a Divisão
A manifestação, apoiada por aproximadamente 500 organizações, incluindo sindicatos, ativistas antirracistas e entidades muçulmanas, atraiu um público variado de todas as idades e origens. A concentração principal ocorreu em Whitehall, próximo ao Parlamento.
Kevin Courtney, presidente da Together Alliance, expressou a importância do evento, afirmando que a marcha “nos dá a todos a confiança para continuar”. A demonstração visou combater o que ativistas descrevem como um avanço do racismo e da islamofobia, que, segundo o ativista sindical Aadam Muuse, “saíram das margens para a política mainstream e estão sendo impulsionados por parlamentares”.
O protesto contrastou com um grupo significativamente menor de contramanifestantes, que exibiam bandeiras israelenses e a bandeira monárquica iraniana pré-1979. Aadam Muuse enfatizou a necessidade de derrotar o líder do Reform, Nigel Farage, nas urnas e desafiar figuras como o agitador de extrema-direita Tommy Robinson nas ruas.
Resistência à Política de Ódio
Milena Veselinovic, correspondente da Al Jazeera no local, relatou que os manifestantes estavam resistindo ao que percebem como “a política de ódio e divisão” no Reino Unido. O ativista e escritor Hamja Ahsan citou sua motivação para participar após um comício anterior organizado por Tommy Robinson, que atraiu 150.000 pessoas e foi marcado por violência policial.
Ahsan declarou: “Precisamos mostrar a eles que somos a maioria. No nível da rua, a extrema-direita não vai dominar nossas ruas.” Ele descreveu a atmosfera do dia como semelhante à do carnaval de Notting Hill, com a marcha unindo pessoas de todas as origens, “de aposentados a crianças”.
Charlotte Elliston, trabalhadora de museu, compartilhou sua apreensão com o crescimento da extrema-direita: “Você pensa que isso nunca aconteceria aqui, e então, de repente, isso pode acontecer. Você vê que está ficando assustador.”
Apoio Político e Visões Sociais
Diversos políticos de esquerda endossaram a manifestação. O deputado independente Jeremy Corbyn criticou a narrativa de que migrantes e refugiados são a causa dos problemas sociais, atribuindo-os a “um sistema econômico manipulado em favor de corporações e bilionários”. A deputada Zarah Sultana complementou, afirmando que “há uma minoria da qual deveríamos estar com raiva: os bilionários que financiam a divisão enquanto as pessoas da classe trabalhadora não conseguem pagar as contas”. O líder do Partido Verde, Zack Polanski, Dianne Abbott e o prefeito de Greater Manchester, Andy Burnham, também foram vistos entre os manifestantes.
A organização de direitos humanos Amnesty UK saudou a “demonstração histórica”, destacando que os marchadores “pedem uma visão diferente da sociedade – uma que coloque dignidade, compaixão e direitos humanos em seu centro”.
Paralelamente, uma marcha organizada pela Campanha de Solidariedade à Palestina convergiu com a manifestação principal. Um incidente separado resultou em dezoito prisões do lado de fora da sede da New Scotland Yard, após um protesto em apoio à Palestine Action, um grupo proibido sob o Ato de Terrorismo, apesar de uma decisão judicial recente que considerou ilegal a proibição pelo governo.
A marcha ocorre em um contexto de aumento do racismo e da ascensão do partido Reform de Nigel Farage nas pesquisas. O grupo antirracista Hope Not Hate alertou no início de março que a extrema-direita britânica está “maior, mais ousada e mais extrema do que nunca”.
