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Manobra tripla desafia Trump: Irã, China e Rússia agitam Estreito de Hormuz

Manobra tripla desafia Trump: Irã, China e Rússia agitam Estreito de Hormuz
Manobra tripla desafia Trump: Irã, China e Rússia agitam Estreito de Hormuz

Em um cenário de crescente tensão no Oriente Médio, o Irã, sob intensa pressão militar dos Estados Unidos, anuncia a realização de um exercício naval conjunto com a China e a Rússia. A manobra, batizada de “Cinturão de Segurança Marítima”, não apenas eleva o tom das relações internacionais, mas também posiciona forças navais de três potências em um dos pontos mais estratégicos e sensíveis do globo: o Estreito de Hormuz.

Cerco de Trump e a Resposta Militar

A decisão de Teerã de avançar com o treinamento ocorre enquanto o governo de Donald Trump intensifica o cerco à República Islâmica. Dois grupos de porta-aviões, liderados pelo colossal USS Gerald R. Ford – a maior belonave do tipo no mundo – e uma vasta gama de outros ativos militares foram mobilizados para as águas próximas ao Irã. Estima-se que mais de doze navios de guerra americanos estejam na região, com um arsenal potencial de 600 mísseis de cruzeiro Tomahawk e centenas de aeronaves prontas para uma eventual ofensiva, caso as negociações sobre o programa nuclear iraniano não avancem.

Estreito de Hormuz: Palco de Tensão Geopolítica

O exercício, que já se tornou uma rotina desde 2019 por iniciativa iraniana, ganha agora uma dimensão inédita. Sua localização, o Estreito de Hormuz, é crucial: por ali transita aproximadamente um quinto do petróleo e gás produzidos globalmente. Desde a última segunda-feira (16), a Guarda Revolucionária iraniana, elite militar do país, já vinha realizando manobras com tiro real de lanchas rápidas e outras embarcações, em um claro sinal de prontidão.

Confirmações e Implicações Estratégicas

A programação do “Cinturão de Segurança Marítima” foi estrategicamente alinhada com as negociações indiretas entre EUA e Irã, que ocorreram em Genebra na terça-feira (17). O anúncio da participação chinesa e russa, feito inicialmente pelo almirante Shahram Irani, comandante da Marinha iraniana, foi posteriormente confirmado por Nikolai Patrushev, influente assessor presidencial russo e figura proeminente na área militar de Vladimir Putin. Embora a data exata não tenha sido divulgada, sabe-se que as manobras ocorrerão na segunda metade de fevereiro.

A presença de navios de guerra russos e chineses, dois dos maiores rivais estratégicos de Washington, no Estreito de Hormuz, envia uma mensagem clara. Analistas sugerem que, embora um confronto direto seja altamente improvável, a participação dessas potências torna uma ação militar unilateral dos EUA contra o Irã significativamente menos provável. Pequim deverá enviar embarcações de sua base em Djibouti, incluindo um destróier, uma fragata e um navio de apoio. Já a Rússia contribuirá com navios que estiveram em exercícios recentes no Índico, como duas fragatas e um navio de reabastecimento. O Irã, por sua vez, utilizará elementos de sua 103ª Flotilha, incluindo uma corveta, um navio de comando e um de suprimentos.

O Jogo de Xadrez de Trump e Patrushev

A mobilização americana, que inicialmente chegou a prometer apoio a manifestantes contrários à teocracia iraniana, agora foca integralmente em desmantelar o programa nuclear de Teerã, visto por Trump como uma “antessala para a bomba atômica”. Patrushev, conhecido por sua postura linha-dura, evitou, contudo, vincular diretamente a manobra naval à crise com os EUA, talvez para não comprometer as negociações de paz mediadas pelos americanos para a Guerra da Ucrânia, onde a Rússia busca boa vontade de Trump.

Este exercício conjunto no Estreito de Hormuz é mais do que uma demonstração de força; é um complexo jogo de xadrez geopolítico, onde cada movimento visa reequilibrar o poder e enviar sinais inequívocos aos adversários.

Da redação do Movimento PB.

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