Morte de enfermeiro em Minneapolis força recuo estratégico e mudança de tom no governo Trump
O governo de Donald Trump efetuou uma guinada abrupta em sua retórica após a morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, baleado por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) em Minneapolis no último sábado (24). A tática inicial de “negar e atacar”, marca registrada da gestão, foi substituída por um tom mais contido e lamentoso após a divulgação de vídeos que contradizem a versão oficial das autoridades federais.
Logo após o incidente, figuras do alto escalão, como a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e o conselheiro Stephen Miller, rotularam Pretti como um “terrorista doméstico” e “aspirante a assassino”. No entanto, imagens analisadas pelo BBC Verify mostram que o enfermeiro estava desarmado no momento da abordagem, utilizando o celular para filmar a ação e tentando auxiliar uma mulher derrubada pelos agentes. Diante da evidência visual, Trump distanciou-se das acusações mais graves, classificando o episódio como um “incidente muito lamentável”.
Crise de imagem e pressão política
A morte de Pretti é o segundo caso fatal envolvendo agentes federais em Minneapolis em menos de um mês — o primeiro vitimou Renee Good. A repetição dos episódios gerou uma onda de indignação local e críticas até mesmo dentro do Partido Republicano. O senador John Curtis (Utah) e o governador Phil Scott (Vermont) manifestaram desconforto com a “intimidação federal deliberada” e a falta de coordenação com as forças policiais locais.
Pesquisas recentes da CBS indicam que a ofensiva migratória de Trump enfrenta resistência crescente: 61% dos americanos consideram que o ICE tem sido “duro demais” em suas detenções. Para tentar conter o desgaste, o presidente anunciou o envio de Tom Homan, o “czar da fronteira”, para supervisionar as operações em Minnesota. Homan é visto como um operador técnico, capaz de manter a agenda de deportações sem o ruído das declarações bombásticas de Noem.
Risco de paralisação do governo
Enquanto o governo tenta modular a comunicação, a oposição democrata em Washington endurece o jogo. Senadores anunciaram que pretendem bloquear o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), o que pode levar a um shutdown (paralisação parcial do governo) já na próxima sexta-feira (30). O objetivo é forçar a implementação de mecanismos de controle e prestação de contas sobre a conduta do ICE em solo americano.
Apesar da tensão, houve sinais de distensão diplomática: Trump descreveu como “muito boa” uma ligação feita ao governador de Minnesota, o democrata Tim Walz. O diálogo sugere uma tentativa de reduzir a temperatura em um estado que se tornou o epicentro do debate sobre os limites da autoridade federal e os direitos civis sob a nova administração.
A tragédia de Minneapolis coloca à prova o capital político de Trump em seu tema central de campanha. O desafio da Casa Branca agora é equilibrar a promessa de “tolerância zero” na imigração com a necessidade de evitar que a percepção de abusos de autoridade aliene o eleitorado moderado e paralise a máquina pública federal em meio a uma crise de segurança pública.
Por Redação do Movimento PB — Com informações de BBC News Brasil
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