Pentágono rompe com Harvard: “oficiais voltaram com cabeça woke”

Em um movimento que promete acirrar ainda mais a ‘guerra cultural’ nos Estados Unidos, o Pentágono anunciou na última sexta-feira o corte de todos os laços com a renomada Universidade de Harvard. A decisão põe fim a programas militares de treinamento, bolsas de estudo e certificados, a partir do ano acadêmico de 2026-27, e marca o ápice de um embate prolongado entre a administração Trump e a instituição de ensino.
Acusações de ‘Ideologias Radicais’
O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, figura central na decisão, não poupou críticas à universidade. Em um comunicado contundente, Hegseth afirmou que Harvard ‘não atende mais às necessidades do Departamento de Guerra ou dos serviços militares’. Para ele, oficiais enviados à instituição retornavam com ‘cabeças cheias de ideologias globalistas e radicais que não aprimoram nossas fileiras de combate’. Em uma postagem no X (antigo Twitter), o secretário foi ainda mais direto: “Harvard é woke; O Departamento de Guerra não é.”
A medida do Pentágono significa que, a partir do ano acadêmico de 2026-27, programas de educação militar profissional em nível de pós-graduação, bolsas e certificações serão descontinuados. No entanto, o pessoal militar atualmente matriculado poderá concluir seus cursos. Hegseth também indicou que programas similares em outras universidades da Ivy League serão avaliados nas próximas semanas, sinalizando uma possível expansão da política.
Guerra Cultural e Retaliação Política
A ruptura não é um evento isolado, mas parte de uma campanha mais ampla da administração Trump para ‘colocar na linha’ as universidades de prestígio do país. Harvard, em particular, tem sido um alvo constante. Anteriormente, o governo já havia cortado bilhões de dólares em financiamento federal para pesquisa e tentado impedir a matrícula de estudantes estrangeiros.
A Casa Branca justifica suas ações alegando que Harvard tem sido tolerante com o viés antijudaico no campus. A universidade, por sua vez, defende-se, argumentando que está sendo retaliada ilegalmente por não aderir às visões ideológicas da administração. Este conflito já gerou duas ações judiciais, nas quais juízes federais deram razão a Harvard, embora o governo esteja recorrendo das decisões.
Exigência de US$ 1 Bilhão e o Retorno do Diploma
A tensão parecia ter diminuído no verão passado, com Trump sugerindo um acordo iminente. No entanto, a trégua foi breve. Recentemente, o presidente endureceu sua postura, exigindo US$ 1 bilhão de Harvard como condição para restaurar o financiamento federal, o dobro do valor inicialmente pedido.
Hegseth, que possui um mestrado por Harvard, já havia demonstrado seu descontentamento em 2022, ao devolver simbolicamente seu diploma em um programa de TV da Fox News, um ato que seu gabinete fez questão de resgatar nas redes sociais. A atitude do Secretário de Defesa reflete a visão de que a academia, em seu formato atual, estaria afastando-se dos valores e necessidades das Forças Armadas.
Embora as oportunidades em instituições civis de prestígio ofereçam benefícios indiretos à carreira militar, auxiliando na transição para a vida civil, a decisão do Pentágono sinaliza uma clara priorização ideológica sobre a diversidade de formação acadêmica para seus oficiais. A questão central permanece: qual o papel da academia na formação de líderes militares e até que ponto as ‘guerras culturais’ podem impactar instituições estratégicas do Estado?
Da redação do Movimento PB.
