Rússia aperta o cerco digital e oficializa bloqueio total do WhatsApp no país
Por Redação do Movimento PB — Com informações de artigo original em português, publicado em CNN Brasil
Em um movimento que aprofunda o isolamento tecnológico e o controle estatal sobre a comunicação, o governo da Rússia anunciou, nesta quinta-feira (12), o bloqueio completo do WhatsApp em todo o seu território. A decisão do Kremlin atinge cerca de 100 milhões de usuários e marca o fim da operação da última grande plataforma da Meta que ainda funcionava no país, após a proibição do Instagram e do Facebook em 2022.
Segurança nacional ou cerceamento de liberdades?
A justificativa oficial do governo russo para a medida baseia-se em alegações de que a Meta é uma “organização extremista”. Segundo as autoridades de Moscou, o WhatsApp estaria sendo utilizado para a coordenação de atos terroristas e atividades que ameaçam a segurança do Estado. No entanto, analistas internacionais e críticos do regime de Vladimir Putin argumentam que a manobra é, na verdade, uma tentativa de silenciar movimentos de oposição e controlar o fluxo de informações sensíveis.
Diferente das outras redes sociais da Meta, o WhatsApp havia sido poupado anteriormente por ser classificado apenas como uma ferramenta de mensagens diretas e não uma plataforma de difusão pública de conteúdo. Contudo, a resistência da empresa americana em fornecer acesso às conversas dos usuários tornou-se um entrave insuperável para os órgãos de inteligência russos.
A ascensão do MAX e o fim da privacidade
Com a saída do player global, o Kremlin passou a promover agressivamente uma alternativa doméstica: o aplicativo MAX. Controlado pela Gazprom Media — braço de mídia da estatal russa de gás natural —, o software já vem pré-instalado em dispositivos móveis vendidos na Rússia, facilitando a migração forçada da base de usuários.
A principal controvérsia em torno do MAX reside na sua arquitetura de segurança. Enquanto o WhatsApp utiliza criptografia de ponta a ponta — onde apenas o emissor e o receptor possuem as chaves para ler as mensagens —, o aplicativo estatal utiliza uma técnica chamada “criptografia de transporte”.
Nesse modelo, os dados são descriptografados ao passarem pelos servidores centrais da empresa antes de chegarem ao destino final. Na prática, isso permite que o conteúdo das conversas seja lido e armazenado pelo Estado, eliminando qualquer garantia de privacidade para os cidadãos e facilitando o monitoramento direto por parte das autoridades.
Impacto na comunicação e isolamento tecnológico
A proibição gera um desafio imediato para a população russa, que agora se vê obrigada a escolher entre ferramentas monitoradas pelo governo ou o uso de redes privadas virtuais (VPNs), que também enfrentam repressão crescente no país. O bloqueio do WhatsApp não é apenas uma barreira técnica, mas um símbolo do distanciamento cada vez maior da Rússia em relação às infraestruturas digitais do Ocidente.
O episódio reforça a tendência de “soberania digital” imposta por regimes autoritários, onde a substituição de serviços globais por soluções locais controladas pelo Estado serve como mecanismo de manutenção do poder e repressão à dissidência política.
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