Sachs: Trump é ‘psicopata’ e risco à economia global

O renomado economista Jeffrey Sachs lançou críticas contundentes ao governo de Donald Trump, classificando o presidente como um ‘psicopata’ e alertando que sua liderança errática representa um perigo iminente para a economia global e a ordem internacional. Em entrevista recente, Sachs argumentou que a condução política impulsiva e megalomaníaca de Trump, somada à erosão da credibilidade militar americana, intensifica conflitos e dificulta a busca por soluções pacíficas.
Comportamento Errático e Crise de Hegemonia
Sachs destacou que o comportamento ‘extraordinariamente errático’ dos Estados Unidos, personificado por Trump, é um dos fatores centrais na atual desorganização do cenário geopolítico. A retórica agressiva, exemplificada pela frase de Trump sobre enviar o Irã de volta à Idade da Pedra, chocou a comunidade internacional e expôs a fragilidade da doutrina americana de ‘choque e pavor’. O economista associou essa escalada verbal ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apontando uma retórica de brutalidade extrema.
Para Sachs, a percepção crescente é de que os EUA operam sob um ‘regime absolutamente violento e sem lei’, evidenciado não apenas pela retórica, mas também pela celebração pública de ações militares que resultam em mortes de civis. Essa degradação moral, segundo ele, compromete a credibilidade do poder militar americano, cuja supremacia já foi questionada em conflitos anteriores como Vietnã e Afeganistão.
O Risco de Escalada e Interesses Ocultos
Um dos pontos mais alarmantes levantados por Sachs é o risco de escalada para uma guerra nuclear. Ele descreveu a postura israelense como marcada por um nível de violência e desumanização que sugere ausência de limites, algo que transcende o tático e se torna ideológico. Sachs ressaltou a diferença entre a opinião pública americana, que em grande parte rejeita a guerra, e o apoio social maior em Israel para a escalada do conflito.
O economista também apontou os interesses financeiros e militares por trás dos conflitos, mencionando empresas de tecnologia e defesa que lucram com a utilização de novos sistemas militares baseados em inteligência artificial. “Dezenas ou centenas de bilhões de dólares” estão em jogo, impulsionados pelo complexo militar-industrial.
Um Chamado à Ação e Autonomia Estratégica
Diante deste cenário, Sachs conclamou líderes globais como Vladimir Putin, Xi Jinping e Narendra Modi a intervir politicamente e pressionar Trump a cessar o conflito, argumentando que o presidente americano tende a ouvir aqueles que considera seus pares. Ele também fez um alerta aos aliados de Washington, incentivando países europeus e do Golfo a abandonarem a dependência militar dos EUA e buscarem maior autonomia estratégica, citando a famosa frase de Henry Kissinger: “Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigo é fatal.”
Sachs concluiu defendendo uma nova lógica de segurança em um mundo multipolar, baseada na cooperação regional e no equilíbrio entre potências. Ele enfatizou que a insistência na hegemonia americana é uma ilusão perigosa e apelou aos governos para fortalecerem laços com seus vizinhos, evitando que a influência de um “império americano” divida regiões.
