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Trump expande ofensiva militar na América Latina com ‘Operação Extermínio Total’

Trump expande ofensiva militar na América Latina com ‘Operação Extermínio Total’
Trump expande ofensiva militar na América Latina com ‘Operação Extermínio Total’

A política externa do governo Trump para a América Latina está se intensificando, com a revelação de uma nova operação militar denominada ‘Operação Extermínio Total’. A iniciativa, que visa combater cartéis de drogas na região, representa um aprofundamento das intervenções dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, sinalizando um possível novo capítulo de conflitos regionais.

Ataques cinéticos e apoio militar a parceiros

Joseph Humire, subsecretário interino de guerra para defesa nacional e questões de segurança das Américas, apresentou detalhes sobre a operação à Comissão de Serviços Armados da Câmara dos EUA. Ele confirmou que os Estados Unidos estão fornecendo recursos e apoio a ações militares conjuntas, como os ataques terrestres realizados no Equador contra organizações criminosas transnacionais. Essas ações, descritas como “ações cinéticas”, envolvem o uso de força militar direta contra alvos específicos.

A colaboração entre EUA e Equador, embora focada em combater o crime organizado, já gerou repercussões. Um incidente em 3 de março resultou na queda de uma bomba não detonada em território colombiano, evidenciando os riscos de escalada e de efeitos colaterais em operações militares transfronteiriças. O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) confirmou o incidente, destacando a complexidade e os desafios de tais operações conjuntas.

Expansão da ‘Operação Lança do Sul’ e preocupações com soberania

Os ataques no Equador são parte de uma estratégia mais ampla que inclui a ‘Operação Lança do Sul’, uma campanha de ataques contra embarcações no Pacífico e no Caribe. Desde setembro de 2025, essa operação resultou na destruição de dezenas de embarcações e na morte de centenas de civis, segundo relatos. O governo Trump justifica essas ações como parte de sua guerra contra cartéis e facções criminosas, embora a recusa em nomear os grupos específicos levante questões sobre a transparência e a justificativa legal das operações.

Especialistas em direito internacional, como Rebecca Ingber, professora da Cardozo Law School, expressam preocupação com a expansão dessas ações militares. Ela alerta que a precipitação em conflitos, baseada em decisões individuais, pode contrariar os princípios constitucionais e internacionais que regem o uso da força.

América Latina sob a ‘Doutrina Trump’

A política expansionista dos EUA na América Latina tem sido associada à chamada ‘Doutrina Trump’, uma adaptação da Doutrina Monroe. Enquanto a doutrina original visava impedir a colonização europeia no hemisfério, a versão de Trump parece justificar intervenções diretas dos EUA na região. A Estratégia de Segurança Nacional do governo americano reforça essa visão, priorizando a presença militar e a proteção de interesses nacionais em seu “perímetro de segurança imediato”, que se estende do Ártico ao Canal do Panamá.

Essa abordagem tem sido aplicada com ações que incluem a pressão sobre países como o Panamá para cortar laços com a China e ameaças de anexação de territórios como a Groenlândia e Cuba. A recente escalada de tensões com Cuba, incluindo um bloqueio de petróleo que gerou uma crise humanitária, reflete a determinação do governo em impor sua agenda na região, ignorando críticas de organizações internacionais de direitos humanos.

Incógnitas sobre o futuro da intervenção

A extensão exata da mobilização militar dos EUA na América Latina e no Caribe permanece incerta. Humire admitiu não ter um número exato de ataques terrestres em andamento em quase 20 países, mas confirmou que o Departamento de Guerra “está se mobilizando para muito mais ataques terrestres”. A campanha, que se autodenomina ‘Aliança das Américas contra os Cartéis’, busca “dissuasão” contra a infraestrutura dos cartéis, um termo que, segundo analistas, tem sido usado como eufemismo para ataques letais.

A falta de clareza sobre os objetivos de longo prazo e os critérios para a interrupção das ações militares levantam preocupações sobre a possibilidade de um “conflito eterno”, sem um ponto de chegada definido. A incerteza em torno dessas operações sugere um cenário complexo e volátil para a América Latina, com os interesses americanos moldando ativamente o futuro político e militar da região.

Com informações do portal Intercept.com.br.

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