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Jacarapé se levanta! Comunidade em João Pessoa resiste à especulação imobiliária

Jacarapé se levanta! Comunidade em João Pessoa resiste à especulação imobiliária
Jacarapé se levanta! Comunidade em João Pessoa resiste à especulação imobiliária

A comunidade tradicional de Jacarapé, no litoral sul de João Pessoa, está em plena mobilização para a segunda edição da Virada Cultural Jacarapé Vive. O evento, marcado para esta sexta-feira, 30 de janeiro, é mais do que uma celebração artística; é um poderoso manifesto contra o avanço da especulação imobiliária que ameaça a permanência dos moradores em seus territórios ancestrais.

Após o sucesso da Virada Cultural da Penha no final de 2025, o movimento político-cultural chega a Jacarapé com uma programação que entrelaça a riqueza da cultura popular paraibana com a firme defesa do bem-viver e da soberania territorial. A iniciativa visa fortalecer a voz dos pescadores e ambientalistas que há gerações cuidam daquela região.

Cultura e Resistência na Ladeira de Jacarapé

A programação da Virada Cultural Jacarapé Vive terá início às 15h30 com uma trilha de bicicleta, preparando o terreno para as apresentações artísticas que começam às 18h. O palco será montado na área asfaltada da ladeira de acesso à praia de Jacarapé, prometendo uma noite de intensa e vibrante manifestação cultural.

Entre as atrações confirmadas, nomes de peso da cena paraibana e nacional se unem à causa: Sambatuqueiras, Oliveira de Panelas, Seu Pereira, Escurinho e Grupo Raízes PB. A diversidade musical reflete a pluralidade da luta e a união de diferentes segmentos da sociedade em prol da comunidade.

Um Grito de Permanência

Tereza Cristina, presidenta da Associação de Moradores e Ambientalistas de Jacarapé (Aspamja), enfatiza o profundo significado do evento. “A Virada Cultural Jacarapé Vive é um momento de celebração e resistência. É um grito popular para dizer que estamos aqui e aqui vamos permanecer”, declarou. Ela reforça a identidade dos moradores como pescadores e ambientalistas, cuidadores do território, e a recusa em ceder espaço para o Polo Turístico Cabo Branco.

A história de Jacarapé é intrínseca à sua gente. Originada por funcionários da Secretaria da Agricultura que cultivavam pequenas propriedades, a região viu a chegada de pescadores entre os anos 1960 e 1990. Eles se estabeleceram, inicialmente na “rua de cima” e depois na beira-mar, formando a Comunidade Tradicional Pesqueira de Jacarapé, vivendo da pesca e da relação simbiótica com o ambiente.

A Luta Contra a Desocupação

Hoje, 92 famílias residem em Jacarapé, dividindo o território entre a estreita faixa de areia e mangue e a rua de cima. Desde 2002, a comunidade enfrenta forte pressão devido à retomada das obras do Polo Turístico do Cabo Branco. Embora um acordo tenha sido firmado com alguns moradores pelo Ministério Público Federal, a maioria dos pescadores rechaça a ideia de desocupação, defendendo o direito de permanecer em seu lar.

Um marco importante nessa batalha ocorreu em 2018, quando, a pedido da Defensoria Pública do Estado, a comunidade obteve um laudo antropológico. Este documento crucial atesta a tradicionalidade de Jacarapé, garantindo aos moradores os direitos previstos em lei e fortalecendo sua posição na luta contra o deslocamento forçado.

O movimento, que já demonstrou sua força na Penha, chega a Jacarapé com o mesmo espírito. Conforme o texto oficial divulgado nas redes sociais, a Virada Cultural é uma “esperança prática e amor à vida comunitária”, buscando envolver o povo local e toda João Pessoa em torno da causa de uma cidade que garanta bem-viver, direitos e oportunidades às suas comunidades afro-indígenas ancestrais.

Como Chegar

Para quem deseja participar e apoiar o movimento, o acesso é pela PB 008, sentido litoral sul. Após o Batalhão da Polícia Ambiental, vire à esquerda em direção ao Restaurante Jacarapé.

Da redação do Movimento PB.

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