Bolsonarismo forte sem Bolsonaro? Entenda o jogo arriscado da direita

A sucessão de 2026: um tabuleiro em movimento
As últimas pesquisas da AtlasIntel trouxeram um novo panorama para o debate sobre a corrida presidencial de 2026. Enquanto Lula se mantém estável nas intenções de voto, a direita vê uma disputa interna acirrada, com Flávio Bolsonaro ganhando terreno e Tarcísio de Freitas perdendo fôlego.
Em um cenário com Lula, Flávio e Tarcísio, o presidente lidera com 48,4%, seguido por Flávio com 28% e Tarcísio com 11%. Curiosamente, quando Tarcísio aparece sozinho como candidato da direita, alcança 28,4%, um desempenho similar ao de Flávio em outros cenários, mas inferior ao potencial do “sobrenome Bolsonaro” quando não há divisão.
Afinal, o que explica a ascensão de Flávio?
Para Mauro Paulino, colunista da Veja, a ascensão de Flávio está ligada à força simbólica do bolsonarismo. “A transferência de votos não depende apenas de Jair Bolsonaro como pessoa, mas da marca que se consolidou no eleitorado”, afirma. Ele destaca que o bolsonarismo se tornou um raro capital eleitoral, transferindo-se quase automaticamente para quem carrega o sobrenome.
Esse fenômeno explica o salto de Flávio de 23% para 35% em algumas pesquisas, enquanto Tarcísio caiu de 30% para 28%. A disputa na direita se torna, assim, menos ideológica e mais patrimonial: quem controla a marca, controla o eleitorado.
Lula vencendo no primeiro turno?
Na direita, muitos acreditam que Flávio Bolsonaro seria o adversário ideal para Lula, devido à sua alta rejeição. No entanto, os números mostram que, em um cenário com apenas Tarcísio enfrentando o presidente, Lula atinge 48,5% – um percentual perigosamente próximo da vitória no primeiro turno.
A fragmentação do eleitorado conservador, combinada com a ausência de uma terceira via forte, cria um cenário favorável para Lula encerrar a disputa já no primeiro turno.
Segundo turno: a polarização continua?
As pesquisas da AtlasIntel mostram que, em um eventual segundo turno, a distância entre Lula e os principais nomes da direita permanece pequena. Contra Flávio Bolsonaro, Lula tem 49% contra 45%; contra Tarcísio, o placar é semelhante. Para Paulino, isso reflete a divisão estrutural do eleitorado brasileiro, que desde 2018 se divide quase meio a meio entre esquerda e direita.
Um dado importante é que Lula praticamente não cresce do primeiro para o segundo turno, mantendo-se em 49%. Isso sugere um teto eleitoral consolidado. Historicamente, candidatos tendem a ampliar seus votos na rodada final, e essa estagnação de Lula pode ser um sinal de alerta.
A direita pode perder antes da largada?
Os números mostram que o bolsonarismo, como marca, continua forte e competitivo, independentemente de quem o represente. O problema é a fragmentação. Quanto mais a direita se divide entre herdeiros de Bolsonaro e aliados, maior a chance de Lula vencer sem precisar de um segundo turno.
Para Paulino, a eleição tende a ser apertada, mas o risco de uma definição antecipada não pode ser ignorado. “A divisão no primeiro turno pode facilitar uma vitória de Lula logo de saída”, alerta. A direita precisa decidir se consegue falar com uma só voz, antes de escolher seus candidatos.
Da redação do Movimento PB.
