Saúde

Adeus, Depressão? Nova terapia foca em traumas para evitar recaídas

Adeus, Depressão? Nova terapia foca em traumas para evitar recaídas
Adeus, Depressão? Nova terapia foca em traumas para evitar recaídas

Lembranças do Passado como Chave para o Futuro da Saúde Mental

Em um cenário onde a depressão se mantém como um dos maiores desafios de saúde global, surge uma abordagem terapêutica inovadora que busca oferecer mais do que um simples alívio temporário. A proposta central é acessar as memórias e emoções antigas dos pacientes, visando reduzir a recorrência de padrões comportamentais que alimentam o sofrimento.

O psiquiatra e neurocientista Diogo Lara lidera essa linha de tratamento, defendendo que grande parte do quadro depressivo está intrinsecamente ligada a experiências que não foram devidamente integradas no cérebro e no corpo. “O corpo registra o que a mente tenta suprimir”, afirma Lara, estabelecendo uma conexão direta entre a depressão e o acúmulo de sofrimento ao longo do tempo.

Como Funciona a Abordagem Inovadora

Diogo Lara desenvolveu duas frentes complementares para o tratamento: a Abordagem Integrada da Mente (AIM), focada na identificação e reorganização das “histórias internas” de cada indivíduo, e o método INSIDELIC, criado para facilitar o acesso estruturado a conteúdos que exercem influência sobre as reações no presente.

Segundo o especialista, essas ferramentas têm como objetivo completar ciclos emocionais que foram interrompidos, promovendo a integração de lembranças, sensações corporais e significados. A meta é atenuar a ativação de circuitos cerebrais associados à retração, sentimentos de culpa e perda de energia.

“Se nos limitarmos a tratar apenas o que se manifesta no presente, o alívio tende a ser parcial, sem gerar uma transformação no padrão subjacente”, avalia o psiquiatra, defendendo a importância de intervenções que alcancem a raiz emocional do sofrimento.

Resultados Observados e Perspectivas Futuras

A equipe envolvida nos atendimentos e retiros terapêuticos relata uma redução significativa nos sintomas, um retorno da disposição e uma revisão das narrativas que orientam as decisões e os relacionamentos dos pacientes. Os relatos também apontam para uma maior clareza em relação aos gatilhos e às escolhas individuais.

Para Lara, a transformação ocorre quando o cérebro consegue processar o que estava reprimido. “A mudança se concretiza quando as emoções são processadas e liberadas, cessando o controle sobre o funcionamento interno”, explica.

É importante ressaltar que esses relatos não substituem a necessidade de uma avaliação individualizada. A resposta ao tratamento pode variar de pessoa para pessoa, e o processo pode demandar tempo, suporte e ajustes específicos.

Considerações Importantes no Cuidado com a Depressão

Especialistas enfatizam que qualquer abordagem terapêutica deve complementar o tratamento já estabelecido, que geralmente inclui psicoterapia, acompanhamento médico e, em alguns casos, medicação. A orientação é não interromper tratamentos sem a devida supervisão profissional.

Embora a base teórica dessas metodologias esteja fundamentada em descobertas da neurociência sobre memória e emoção, a eficácia real depende de estudos contínuos e de comparações com práticas já consolidadas.

Lara defende que, ao abordar a depressão como um pedido de atualização interna, é possível abrir novas perspectivas para os pacientes. “Quando acessamos a origem emocional do sofrimento, surgem escolhas que antes não estavam disponíveis”, conclui.

Para aqueles que convivem com a depressão, a mensagem central é de integração: combinar estratégias que aliviem os sintomas e, ao mesmo tempo, enfrentem os padrões que mantêm o ciclo vicioso da doença, pode aumentar as chances de um resultado mais duradouro e significativo.

Da redação do Movimento PB.

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