Novas medicações para TDAH vão Além da Dopamina e Norepinefrina

A compreensão sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) avança para além da visão simplista de uma deficiência de dopamina. Especialistas destacam que o TDAH envolve uma complexa interação de múltiplos neurotransmissores, impactando não apenas o foco e a motivação, mas também o humor, a ansiedade e o sono.
A Tríade de Neurotransmissores e Além
O TDAH está intrinsecamente ligado à desregulação de três neurotransmissores essenciais: a dopamina, crucial para o foco e a recompensa; a norepinefrina, vital para o estado de alerta e a cognição; e a serotonina, que regula o humor, a ansiedade e o sono.
Historicamente, medicamentos para TDAH concentraram-se em aumentar os níveis de dopamina e norepinefrina. Contudo, pesquisas recentes e o desenvolvimento de novas terapias começam a incluir a modulação da serotonina, reconhecendo seu papel no bem-estar emocional frequentemente afetado por indivíduos com TDAH.
“Se o cérebro está hiperestimulado, talvez eu precise desacelerá-lo modulando o GABA”, comentou Gregory W. Mattingly, M.D., instrutor de psicofarmacologia na Washington University School of Medicine. Essa visão expandida sugere um futuro com tratamentos mais personalizados, que podem incluir a modulação de neurotransmissores como GABA e glutamato, atuando como freios e aceleradores do cérebro.
O Impacto da Serotonina no Tratamento
Uma parcela significativa de adultos com TDAH, entre um terço e dois terços, utiliza medicação adicional para tratar comorbidades como ansiedade, depressão ou instabilidade de humor. Essa realidade impulsiona o interesse em medicamentos que abordem os aspectos emocionais do TDAH, muitas vezes insuficientemente controlados por estimulantes tradicionais.
Medicamentos como a Viloxazina (Qelbree), já aprovada para TDAH, exemplificam essa nova abordagem ao modular tanto a norepinefrina quanto a serotonina, demonstrando eficácia não só nos sintomas centrais do TDAH, mas também na ansiedade e nos sintomas de humor associados.
“Preparem-se e segurem-se, porque teremos mais medicamentos que modulam a serotonina”, previu Mattingly, indicando uma tendência crescente na farmacologia do TDAH.
Evolução Contínua na Compreensão e Tratamento
O reconhecimento da desregulação emocional como um componente chave do TDAH é um avanço significativo. Essa perspectiva emerge de uma compreensão mais holística do transtorno, que o vê como uma condição que afeta a pessoa em sua totalidade e ao longo da vida.
Estudos sobre medicamentos mais recentes, como o Mydayis, lançado em 2017, começaram a avaliar o impacto do tratamento do TDAH fora dos contextos acadêmico e profissional. Pesquisas indicam que esses tratamentos podem melhorar aspectos sociais e emocionais, como a capacidade de fazer amigos, interagir com os outros e regular as emoções.
Além disso, a compreensão sobre como os medicamentos atuam está se refinando. Descobriu-se que os estimulantes não apenas facilitam a atenção, mas também aumentam o valor percebido de tarefas que, de outra forma, seriam pouco recompensadoras, auxiliando na motivação e no engajamento.
Tratamento do TDAH como Proteção Cerebral a Longo Prazo
O tratamento do TDAH transcende o alívio sintomático imediato, atuando como uma medida protetora para o cérebro contra as consequências de problemas secundários, como ansiedade, depressão e insônia.
“Um cérebro com TDAH não tratado torna-se um cérebro com TDAH menos conectado, o que diminui nossa resiliência e aumenta nossa frustração, frustração emocional e outras coisas”, alertou Mattingly. Ele reforça a importância de uma abordagem de tratamento holística, que combine medicação com hábitos de vida saudáveis, incluindo sono adequado e exercício físico regular.
