Crise no sistema de saúde dos EUA leva americano a casar com amiga por plano de saúde

Crise nos planos de saúde força decisões drásticas
Diante do aumento nos custos dos planos de saúde, alguns americanos estão tomando medidas extremas para garantir acesso à cobertura médica. Um exemplo recente é o de Mathew, que, para conseguir manter seu tratamento de uma doença autoimune, casou-se com sua melhor amiga.
Mathew temeu represálias por parte da seguradora caso descobrissem que seu casamento foi motivado pela necessidade de obter cobertura. Ele não é o primeiro americano a se casar por razões financeiras relacionadas à saúde, e certamente não será o último.
Essa situação se agravou após o fim dos subsídios aprimorados do Affordable Care Act (ACA), que tornavam os planos mais acessíveis para cerca de 24 milhões de pessoas. O Congresso não conseguiu renovar esses subsídios, o que resultou em um aumento significativo nos preços dos planos para muitas famílias.
Alternativas drásticas
Enquanto o Congresso debate uma solução, muitos americanos estão optando por abrir mão do seguro saúde ou tomar decisões drásticas para manter a cobertura, como Mathew.
Mathew, de 40 anos, vive em Michigan e precisa de tratamento contínuo para sua doença autoimune. Ele dependia do ACA para ter acesso à cobertura médica, mas o aumento nos preços o forçou a buscar alternativas.
Com o fim dos subsídios, o valor do plano de saúde de Mathew saltaria para mais de US$ 427 por mês, um custo inviável para ele. Foi então que surgiu a ideia de se casar com Christina, sua amiga de longa data e companheira de apartamento.
Uma solução inusitada
Christina, ao saber da situação de Mathew, propôs o casamento como uma forma de garantir que ele tivesse acesso ao plano de saúde oferecido por seu emprego. Apesar de ser gay, Mathew considerou a proposta e, após muita conversa e terapia, eles decidiram seguir em frente.
O casamento ocorreu em setembro, em uma cerimônia discreta com familiares e amigos próximos. Mathew afirma não se arrepender da decisão, já que ela lhe permite continuar seu tratamento médico sem comprometer suas finanças.
Casamentos por benefícios
Erin Fuse Brown, professora de direito da saúde na Brown University School of Public Health, explica que casamentos por benefícios já foram mais comuns no passado. Com o ACA, essa prática diminuiu, mas o fim dos subsídios pode levar a um aumento nos casos.
Fuse Brown ressalta que casar por benefícios não é ilegal. As pessoas se casam por diversos motivos, sejam eles econômicos, práticos ou relacionados à criação de filhos.
O novo plano de saúde de Mathew, obtido através do emprego de Christina, custa US$ 121 por mês, um valor semelhante ao que ele pagava com os subsídios do ACA. No entanto, ele agora precisa lidar com questões burocráticas para garantir a continuidade de seu tratamento.
Mathew espera que o Congresso chegue a um acordo para restabelecer os subsídios do ACA, pois nem todos têm a opção de se casar com um amigo para ter acesso a um plano de saúde acessível.
Da redação do Movimento PB.
