Cientistas japoneses descobrem como respirar pelo ânus (e salvar vidas)

Afinal, o que é a “respiração anal”?
Uma equipe de pesquisadores japoneses descobriu que seres humanos podem, sim, respirar pelo ânus. A técnica, chamada “ventilação enteral”, pode ser uma alternativa crucial em situações onde a ventilação mecânica tradicional se mostra difícil ou insuficiente.
O estudo, publicado na revista científica Med em dezembro de 2025, detalha como a equipe liderada pelo professor Takanori Takebe conduziu o primeiro ensaio clínico em humanos, demonstrando a segurança e a tolerabilidade da administração intrarretal de perfluorodecalina (PFD), um líquido essencial para a ventilação enteral.
Como funciona e para que serve?
A ventilação enteral funciona levando oxigênio ao corpo através do intestino. Essa técnica inovadora surge como um suporte respiratório alternativo, especialmente útil em casos de recém-nascidos com pulmões imaturos (insuficiência respiratória neonatal) ou pacientes com lesões pulmonares graves.
O experimento que chocou a ciência (e rendeu um Ig Nobel)
Antes testada apenas em animais, a técnica ganhou notoriedade após a publicação de um artigo em 2021, também na revista Med, que detalhou a ventilação enteral em mamíferos como porcos e ratos. Essa descoberta rendeu a Takanori Takebe o Ig Nobel de 2024, uma paródia do Prêmio Nobel que celebra conquistas científicas que, primeiramente, provocam o riso e, em seguida, a reflexão.
O estudo mais recente envolveu 27 homens adultos saudáveis, com idades entre 20 e 45 anos. O objetivo central era avaliar a segurança da administração gradual de PFD não oxigenada em doses crescentes.
Resultados promissores
Os resultados da pesquisa foram promissores, sem relatos de eventos adversos graves ou toxicidades limitantes de dose. Alguns participantes do grupo de doses mais altas reportaram sintomas gastrointestinais leves, como distensão abdominal e dor, mas estes foram temporários e se resolveram sem a necessidade de tratamento específico.
A “respiração anal” abre um novo leque de possibilidades para o tratamento de insuficiências respiratórias, oferecendo esperança para pacientes em condições críticas.
Da redação do Movimento PB.
