Seu celular no banheiro pode estar custando sua saúde: novo estudo revela ligação direta com hemorroidas
Hábito de levar o smartphone para o vaso sanitário aumenta em 46% o risco da doença, além de expor o usuário a uma contaminação invisível por bactérias fecais.
Aquele hábito aparentemente inofensivo de levar o celular para o banheiro para checar as redes sociais ou ler notícias enquanto está no vaso sanitário pode ter consequências muito mais sérias do que a perda de tempo. Um novo estudo, publicado na prestigiada revista científica Plos One, traz um alerta contundente: passar longos períodos sentado no vaso, distraído pela tela, aumenta em 46% o risco de desenvolver hemorroidas. A pesquisa, realizada nos Estados Unidos, acende uma luz vermelha sobre como um comportamento moderno está ressuscitando um problema de saúde antigo e doloroso.
O estudo avaliou 125 pacientes e os resultados foram claros. Aqueles que admitiram usar o celular no banheiro permaneciam sentados por muito mais tempo. Enquanto apenas 7% dos “não usuários” ficavam mais de cinco minutos no vaso, esse número saltava para quase 40% entre os que levavam o aparelho. Segundo a gastroenterologista Trisha Pasricha, coautora do estudo, a culpa é do fluxo infinito de conteúdo. “O próximo vídeo ou TikTok começa automaticamente. Isso faz com que as pessoas permaneçam sentadas por muito tempo, exercendo uma pressão prolongada sobre os tecidos retais”, explica.
A mecânica por trás do problema é simples e preocupante. A médica explica que, diferente de uma cadeira, o vaso sanitário não oferece suporte para a região pélvica. “O vaso sanitário é basicamente um buraco aberto: não há nada que te sustente”, afirma. Essa falta de contrapeso, combinada com o relaxamento da musculatura e a força da gravidade por um período prolongado, enfraquece o tecido que sustenta os vasos sanguíneos do reto. Com o tempo, essas veias se dilatam, inflamam e podem sangrar, caracterizando as hemorroidas. Em casos mais graves de esforço repetido, o hábito pode contribuir até para o prolapso retal, uma condição mais séria.
Um risco nojento e invisível
Além do problema vascular, há um risco higiênico que muitos ignoram. Segundo especialistas, as bactérias presentes nas fezes podem ser facilmente transferidas para o celular no momento da limpeza. Pior ainda, o simples ato de dar a descarga com a tampa aberta cria um “aerossol” de partículas fecais. Essas micropartículas se espalham pelo ar e se depositam em todas as superfícies do banheiro, incluindo a tela do seu smartphone. Mesmo que você lave as mãos, ao tocar no aparelho novamente, a contaminação acontece. Embora não haja evidências de que isso cause surtos infecciosos, como destaca a Dra. Pasricha, “é simplesmente nojento”.
Diante dos riscos, a recomendação médica é clara e direta: adote a “regra dos cinco minutos”. “Evite permanecer sentado no vaso sanitário por mais de cinco minutos consecutivos”, sugere a gastroenterologista. Se a evacuação não ocorrer nesse tempo ou se for necessário fazer muito esforço, o ideal não é pegar o celular para “passar o tempo”, mas sim procurar um médico. O hábito de usar o celular no banheiro transformou o ato de ir ao banheiro, que deveria ser rápido e funcional, em um momento de lazer prolongado e prejudicial. A mensagem da ciência é um chamado para nos reconectarmos com nosso corpo e deixarmos a tecnologia do lado de fora da porta, pelo bem da nossa saúde.
Redação do Movimento PB
Redação do Movimento PB [NMG-OGO-10102025-L2M8N1-13P]
