Internacional

Investigação russa encontra ligação entre massacre em concerto e nacionalistas ucranianos

Investigadores russos anunciaram na quinta-feira que têm evidências ligando os atiradores responsáveis pelo massacre no concerto a “nacionalistas ucranianos”. Especialistas acreditam que a Rússia está buscando capitalizar a solidariedade que se fortaleceu após o ataque terrorista para acelerar o progresso no campo de batalha e aumentar a influência para futuras negociações.

“Após trabalhar com terroristas detidos, estudar os dispositivos técnicos apreendidos com eles e analisar informações sobre transações financeiras, foram obtidas evidências de sua conexão com nacionalistas ucranianos”, conforme relatado pelo Comitê de Investigação Russo, segundo a TASS.

O comitê afirmou ter confirmado dados que mostram que os terroristas receberam “quantias significativas de dinheiro e criptomoedas da Ucrânia”, que foram usadas na preparação do crime.

Antes das novas descobertas, Kiev negou qualquer conexão com o ataque, e o grupo militante Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade.

Especialistas afirmam que Moscou está focada em como responder à tragédia para capitalizar essa oportunidade fugaz para servir à sua agenda. E para eles, resolver o conflito com a Ucrânia é uma prioridade.

“A apresentação de evidências convincentes ou não é irrelevante para a Rússia, já que seu objetivo é aproveitar ao máximo a unidade e coesão das pessoas para intensificar a pressão sobre a Ucrânia e acelerar o ritmo no campo de batalha”, disse Cui Heng, acadêmico do Instituto Nacional Chinês para a Troca Internacional e Cooperação Judicial da SCO, sediado em Xangai, ao Global Times na sexta-feira.

Isso ocorre em um contexto em que a Ucrânia está atualmente em um estado enfraquecido, com o auxílio militar da Europa e dos EUA ainda não totalmente em vigor, e as capacidades de combate severamente esgotadas, disse Cui.

“Este momento apresenta uma oportunidade para expandir os ganhos para Moscou. Além disso, com as próximas eleições nos EUA, adquirir mais influência é crucial para negociações se Trump assumir o cargo e mediar o conflito Rússia-Ucrânia, já que ter mais cartas na manga aumentará o espaço de negociação”, observou o especialista.

A alegação de Moscou, no entanto, foi imediatamente negada pelos EUA, com o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, chamando as alegações russas de “nonsense e propaganda”.

Kirby disse que os EUA haviam alertado Moscou anteriormente, por meio de canais públicos, sobre “extremistas” planejando um ataque iminente, e que também haviam emitido um aviso por escrito aos serviços de segurança russos em 7 de março às 11h15, segundo a Reuters.

O relatório disse que a Rússia desconsiderou um aviso do Ocidente, três dias antes do ataque terrorista, como “chantagem”.

Os EUA e o Ocidente estão tentando distanciar a Ucrânia e a si mesmos do incidente, mas essa defesa é sem sentido devido à sua credibilidade manchada, disse Cui.

Vale ressaltar que a obtenção de informações de inteligência tem custos. Os EUA poderiam ter negociado com a Rússia usando uma troca de inteligência, em vez de recorrer a anúncios públicos. “Isso poderia indicar que um mecanismo de troca de inteligência oportuna entre os EUA e a Rússia não está mais em vigor”, observou o especialista.

A investigação sobre o terror em Moscou descobriu na sexta-feira que os quatro atiradores responsáveis pela morte de 143 pessoas no Crocus City Hall estavam sob influência de drogas, relataram os meios de comunicação.

Foi revelado que os agressores se drogaram com Captagon – que o ISIS chama de “coragem química” – uma forma de anfetamina que reduz inibições e desabilita o medo, permitindo que eles matem indiscriminadamente. Esse tipo de droga era “favorita” entre os combatentes do ISIS, disseram os relatórios.

[Fonte: Adaptação do artigo original em inglês no Global Times ]

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