1º de Maio no Rio: Ato em Copacabana clama pelo fim da escala 6×1

Nesta sexta-feira, 1º de maio, o Rio de Janeiro será palco de um grande ato em Copacabana, reunindo centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais em defesa de direitos trabalhistas fundamentais. O evento, que tem início marcado para as 14h, visa pressionar pelo fim da controversa escala 6×1, pela redução da jornada de trabalho sem cortes salariais, pelo combate à pejotização e às fraudes, e pelo fortalecimento das negociações coletivas.
Pautas Amplas e Contexto Eleitoral
A mobilização em Copacabana transcende a pauta estritamente trabalhista, incluindo também o combate à violência contra a mulher e o feminicídio, além da defesa da paz e da soberania nacional, em um momento de tensões globais como a guerra no Oriente Médio. Dirigentes sindicais expressam a expectativa de um 1º de Maio histórico, especialmente por ocorrer em um ano eleitoral. Duda Quiroga, integrante da Executiva Nacional da CUT-Rio, destacou a importância da data para a proteção dos direitos coletivos, lembrando que a ausência de democracia pode levar a retrocessos como a reforma trabalhista, cujos efeitos negativos exigem esforços contínuos para serem revertidos.
Quiroga ressaltou a urgência da aprovação do projeto de lei que visa extinguir a escala 6×1 e estabelecer a carga horária máxima de 40 horas semanais. Segundo a dirigente, a tramitação via projeto de lei, em contrapartida a uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), oferece um caminho mais célere para a implementação da mudança.
Em linha com essa perspectiva, Paulo Farias, presidente da CTB-Rio, enfatizou a necessidade da presença nas ruas. Em um texto publicado na página da central, Farias declarou que as reuniões de mobilização estão intensificadas, pois o Dia do Trabalhador é visto como um momento crucial para a conscientização e o diálogo direto com a classe trabalhadora.
Mobilização Abrangente no Estado
Para garantir a máxima adesão, a CUT-Rio planejou uma série de ações em diversas regiões do estado. Além do ato principal em Copacabana, haverá mobilizações em locais como a Baixada Fluminense, Santa Margarida, e nas zonas oeste, sul e norte do estado. Algumas atividades estão programadas para o dia 1º e outras para o dia 2, todas com o objetivo de unir a classe trabalhadora em luta e confraternização.
A articulação prévia ao 1º de Maio já está em curso. Nesta quarta-feira (29), uma panfletagem unificada das centrais sindicais e movimentos sociais ocorrerá no Largo da Carioca, no centro do Rio. No mesmo dia, a CTB e o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) realizarão ações na Central do Brasil para engajar os trabalhadores. O VAT também promoverá uma audiência pública da Comissão do Trabalho e Emprego da Câmara Municipal de Vereadores.
Impacto Econômico e Apoio Popular
O fim da escala 6×1, que permite jornadas de trabalho extensas com folgas reduzidas, tem sido objeto de estudo e debate. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), conduzida por Felipe Vella Pateo, indica que o impacto econômico dessa mudança para grandes empregadores, como a indústria e o comércio, é mínimo. Nesses setores, o aumento nos custos de trabalho decorrente da redução de jornada não ultrapassa 1%. No comércio varejista, que emprega cerca de 7 milhões de pessoas, o acréscimo no custo seria de apenas 1,04%.
O apoio popular à medida é expressivo. Uma pesquisa Datafolha de março deste ano revelou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. O índice de aprovação é ainda maior entre os mais jovens, atingindo 83% na faixa de 16 a 24 anos e 75% entre 35 e 44 anos. Entre os idosos, com 60 anos ou mais, o apoio se mantém em 55%.
