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Bancos digitais e tradicionais aderem ao Desenrola de Lula

Bancos digitais e tradicionais aderem ao Desenrola de Lula
Bancos digitais e tradicionais aderem ao Desenrola de Lula

O setor financeiro brasileiro, representado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e pela Zetta, que congrega bancos digitais e fintechs, manifestou apoio à nova versão do Desenrola Brasil. O programa, lançado pelo Governo Federal em 4 de maio de 2026, visa auxiliar famílias a quitarem suas dívidas com descontos que podem atingir até 90%, sendo visto pelas entidades como um passo crucial para o alívio financeiro da população inadimplente.

ABBC destaca foco e mecanismos de proteção

A ABBC ressaltou a precisão do programa em mirar famílias com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105), grupo que concentra uma parcela significativa da inadimplência no país. A entidade também elogiou a utilização do Fundo de Garantia de Operações (FGO) como ferramenta de mitigação de riscos para as instituições financeiras participantes.

Em nota oficial, a ABBC declarou que “medidas como descontos graduais, taxas de juros em patamar mais acessível para as famílias endividadas e, ao mesmo tempo, atrativo para os clientes, além da possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ampliam a efetividade das renegociações e favorecem a regularização financeira”.

Zetta reforça diálogo e experiência do cliente

A Zetta, por sua vez, enfatizou a importância do diálogo contínuo entre o governo, os agentes do setor e as instituições financeiras. A entidade declarou estar trabalhando ativamente para promover a educação financeira e expandir o acesso a soluções de crédito seguras e acessíveis. “A entidade mantém diálogo com autoridades e agentes do setor para que instituições financeiras e de pagamento possam oferecer uma melhor experiência ao cliente dentro do escopo do novo programa”, comunicou a Zetta.

Detalhes do Novo Desenrola Brasil

A medida provisória que institui o novo Desenrola Brasil foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e entra em vigor a partir de 5 de maio de 2026, com duração de 90 dias. O programa abrange quatro eixos principais: famílias, estudantes (Fies), empresas e o setor rural.

A linha Desenrola Famílias destina-se a cidadãos com renda de até cinco salários mínimos. Permite a renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, contraídas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso superior a 91 dias. Os descontos podem variar entre 30% e 90%, com juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes. O valor final da dívida, após o desconto, não pode exceder R$ 15 mil por CPF e por instituição bancária. Uma exigência adicional é que os beneficiários se abstenham de apostas em plataformas online por 12 meses.

O programa também possibilita a utilização de até 20% do saldo do FGTS para amortizar dívidas, com um teto de R$ 1.000. Para dívidas de até R$ 100, a regularização é automática. O FGO servirá como garantia para os bancos, com um aporte inicial de R$ 2 bilhões, expansível a R$ 5 bilhões.

Outras Frentes do Programa

O Desenrola Fies oferece condições especiais para estudantes com financiamentos universitários em atraso há mais de 90 dias. O pagamento à vista resulta na isenção de juros e multas, além de um desconto de 12% no valor principal. O parcelamento pode ser estendido em até 150 vezes. Para beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico), o desconto pode chegar a 99%.

No âmbito empresarial, o Desenrola Empresas visa facilitar o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas. Microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, inscritas no Procred, terão carência de 24 meses e prazo de pagamento de 96 meses. O limite de crédito será ampliado para 50% do faturamento (60% para empresas lideradas por mulheres). Para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões, via Pronampe, o limite de crédito dobra para R$ 500 mil.

Finalmente, o Desenrola Rural reabre prazos para que agricultores familiares renegociem dívidas, com data limite de 20 de dezembro de 2026. O governo estima que esta frente beneficiará cerca de 800 mil produtores, elevando o total de participantes do programa para 1,3 milhão.

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