Ministros desconfiam que Toffoli gravou colegas em sigilo

Uma nuvem de desconfiança paira sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), após ministros expressarem a suspeita de que foram secretamente gravados por um colega, Dias Toffoli, durante uma tensa reunião a portas fechadas. O encontro, que ocorreu na noite da última quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, tinha como pauta a delicada condução de Toffoli no polêmico caso envolvendo o Banco Master.
O Motivo da Suspeita e a Reunião Secreta
A pulga atrás da orelha dos magistrados surgiu após a veiculação de reportagens na imprensa que detalhavam, com precisão alarmante, trechos e falas proferidas durante a reunião interna. Essa repentina publicidade de um encontro que deveria ser estritamente sigiloso acendeu o alerta e levantou a hipótese de que um dispositivo de gravação estaria ativo.
O encontro, que reuniu 10 dos ministros da Corte na sede do Supremo, durou quase três horas e foi marcado por um clima de grande tensão. Iniciada por volta das 16h40, a discussão central girava em torno da posição de Toffoli como relator no caso Banco Master, após um relatório da Polícia Federal (PF) trazer à tona menções ao ministro em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira.
O Caso Banco Master e a Pressão Interna
O ministro Edson Fachin foi o responsável por apresentar o documento da PF e discutir a Arguição de Suspeição nº 244, aberta para investigar o envolvimento de Toffoli. Segundo relatos, o próprio Toffoli inicialmente resistiu à ideia de deixar a relatoria, defendendo sua imparcialidade e negando qualquer relação de amizade com Vorcaro.
No entanto, a pressão dos colegas, preocupados com o desgaste institucional que o caso poderia gerar, foi intensa. Após um longo debate, a decisão final foi que Toffoli se afastaria da relatoria do caso a seu próprio pedido, com a concomitante retirada da arguição de suspeição contra ele. Essa movimentação visava preservar a imagem da Corte e evitar maiores turbulências.
Desdobramentos e Reflexões
Ainda que a saída de Toffoli da relatoria tenha sido anunciada em nota oficial após a reunião, a suspeita de gravação adiciona uma camada de complexidade e preocupação à já abalada relação entre os ministros. O episódio levanta questionamentos sérios sobre a confiança e a privacidade dentro da mais alta instância do Judiciário brasileiro, prometendo reverberar nos corredores da Justiça nos próximos dias.
Da redação do Movimento PB.
