Justiça determina preservação de Fordlândia, cidade fantasma na Amazônia

A Justiça brasileira determinou a preservação de Fordlândia, a icônica e decadente cidade construída por Henry Ford na Amazônia em 1928. A decisão, celebrada pelo Ministério Público Federal (MPF) como um marco histórico, visa combater décadas de negligência e degradação do complexo.
Um Sonho Industrial na Floresta
Fordlândia foi concebida como um ambicioso projeto de Henry Ford para quebrar o monopólio britânico da borracha. O industrial americano investiu cerca de US$ 20 milhões para criar uma metrópole na Floresta Amazônica, equipada com infraestrutura de ponta para a época, como hospital, água encanada, eletricidade e cinema. A cidade era um símbolo da tentativa americana de controle sobre a produção de borracha, essencial para a indústria automobilística.
O Fracasso e o Abandono
O experimento, no entanto, enfrentou inúmeros obstáculos. Trabalhadores se revoltaram contra as rígidas regras impostas, incluindo restrições alimentares e a proibição de álcool e tabaco. Mais crucialmente, as plantações de seringueira sucumbiram a pragas e fungos, minando o plano original de Ford. Em 1945, a propriedade foi vendida ao governo brasileiro por um valor irrisório. Desde então, apesar de ainda abrigar milhares de moradores, Fordlândia sofre com a falta de manutenção e a deterioração de suas estruturas. O hospital, por exemplo, foi vítima de um incêndio em 2012, e o acesso a serviços básicos como água potável tornou-se intermitente.
A Luta pela Preservação
O MPF destacou a importância histórica de Fordlândia, classificando-a como um capítulo fundamental na história do Brasil e da indústria mundial. A decisão judicial obriga o governo federal, o estado do Pará, o município de Aveiro e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a colaborarem na recuperação e proteção do local. A expectativa é que a restauração de Fordlândia possa revitalizar o turismo na região e servir como um centro de memória para a sociedade brasileira, garantindo que as futuras gerações tenham acesso a este legado histórico.
A pobreza na região do Pará, onde se localiza Fordlândia, ainda é um desafio significativo, com uma taxa de 39,3% em 2023. A preservação e eventual revitalização do sítio histórico representam, portanto, não apenas um resgate cultural, mas também um potencial motor de desenvolvimento local.
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