Lula e Índia: Acordo ‘Pioneiro’ inclui minerais críticos

Em um movimento estratégico que reverberou nos corredores da diplomacia e do mercado global, Brasil e Índia selaram um acordo considerado “pioneiro” nas áreas de energias renováveis e minerais críticos. A parceria, assinada neste sábado (21) em Nova Déli, capital indiana, acontece em um cenário de intensa disputa global por recursos essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas celebrou o pacto, mas também aproveitou a ocasião para cobrar uma reforma urgente da Organização das Nações Unidas (ONU), em especial de seu Conselho de Segurança.
Um Pacto Estratégico para o Futuro
Lula destacou a importância da colaboração entre as duas nações para impulsionar a agenda climática e energética mundial. O acordo visa ampliar investimentos e cooperação em energias renováveis e minerais críticos, elementos-chave para a descarbonização da economia global. “Ampliar os investimentos e a cooperação em matérias de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou o presidente.
Um dos pilares do pacto é a garantia de espaço para os biocombustíveis na matriz energética global, um ponto crucial para a transição. “No marco da aliança global para biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para esta tecnologia na agenda climática e energética global”, completou Lula, reforçando o compromisso com soluções sustentáveis e economicamente viáveis.
A Inoperância da ONU em Xeque
Além da agenda bilateral, Lula direcionou suas críticas à ineficácia da ONU, especialmente diante dos conflitos contemporâneos. O presidente ressaltou que, há mais de duas décadas, Brasil, Índia, Japão e Alemanha formaram o grupo G4 com o objetivo de promover a ampliação e a representatividade do Conselho de Segurança.
“A ONU precisa ter força para interferir nos conflitos que existem no mundo hoje. Sendo inoperante, não vai resolver. Por isso, vamos continuar a luta para que seja mais representativa”, disparou Lula, ecoando um sentimento de frustração global com a paralisia do organismo internacional.
Especialistas corroboram a visão de que a relevância da ONU tem sido comprometida por fatores como o enfraquecimento do multilateralismo, desafios orçamentários e impasses políticos e ideológicos, que minam sua capacidade de mediação em crises globais. A crítica de Lula, portanto, não é isolada, mas reflete uma preocupação crescente com a arquitetura da governança mundial.
Além dos Minerais: Outras Frentes de Cooperação
Em suas redes sociais, Lula reiterou as vastas oportunidades de cooperação entre Brasil e Índia. Além dos minerais críticos e energias renováveis, o presidente mencionou acordos importantes como o da Fiocruz com instituições indianas, focado em pesquisa e produção local de insumos estratégicos. Isso inclui vacinas para tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores, e tratamentos para doenças negligenciadas e raras, evidenciando uma parceria abrangente em saúde.
No setor de defesa, a indústria aeronáutica brasileira também fortalece sua presença na Índia, com a abertura de um escritório da Embraer em Délhi, sinalizando uma diversificação e aprofundamento das relações bilaterais que vão muito além dos recursos naturais.
Da redação do Movimento PB.
