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Lula e Trump alinham tarifas e minerais críticos em Washington

Lula e Trump alinham tarifas e minerais críticos em Washington
Lula e Trump alinham tarifas e minerais críticos em Washington

Em um encontro bilateral na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordaram temas cruciais para as relações entre Brasil e EUA, com destaque para a negociação de tarifas comerciais e a exploração de minerais críticos. Lula classificou a reunião como um “passo importante na consolidação da relação democrática e histórica” entre as duas nações, ressaltando o potencial de ambas como exemplos para o mundo.

Relações Comerciais e Minerais Críticos em Pauta

Lula destacou a importância histórica do comércio entre Brasil e EUA, que remonta ao século XX, e a necessidade de os Estados Unidos retomarem o interesse em parcerias com o Brasil, especialmente em grandes projetos de infraestrutura. Ele mencionou a participação chinesa em licitações brasileiras como um reflexo da mudança no cenário comercial global desde 2008. Para reverter essa tendência, o presidente brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir e resolver as divergências comerciais em até 30 dias, com a disposição de ambas as partes em ceder para alcançar um acordo.

Um ponto central da discussão foi a questão dos minerais críticos. Lula informou sobre a aprovação no Brasil de uma lei que trata o tema como uma questão de soberania nacional, com a criação de um conselho sob a coordenação da Presidência. O objetivo é compartilhar o vasto potencial mineral brasileiro, ainda pouco conhecido, com parceiros internacionais, incluindo empresas americanas, chinesas, alemãs e japonesas. O Brasil busca parcerias para a mineração e processamento desses minerais, visando agregar valor internamente e evitar a mera exportação de matéria-prima, como ocorreu historicamente com o ouro e o minério de ferro.

Combate ao Crime Organizado e Segurança Global

O combate ao crime organizado e ao narcotráfico foi outro tema relevante. Lula apresentou ao presidente Trump propostas escritas em inglês, reforçando a seriedade com que o Brasil trata o assunto. Ele enfatizou a necessidade de criar alternativas econômicas para países produtores de drogas e a importância de um esforço conjunto global, não hegemônico, para combater o crime organizado. O Brasil ofereceu sua expertise e sua Polícia Federal para a formação de um grupo de trabalho, que poderia incluir países da América do Sul e outras nações, com o objetivo de desmantelar o potencial financeiro das facções criminosas, que se tornaram verdadeiras empresas multinacionais atuando em diversas esferas.

Na esfera internacional, Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a geopolítica de 2026 é distinta da de 1945. Ele propôs que os membros permanentes do conselho – EUA, China, Rússia, França e Reino Unido – assumam a responsabilidade de iniciar discussões para reformar a estrutura, aumentar o número de membros e abordar conflitos globais de forma mais eficaz. O presidente brasileiro reiterou sua crença no diálogo e na diplomacia como ferramentas mais eficazes e menos custosas do que a guerra, citando a guerra na Ucrânia e o conflito em Gaza como exemplos da necessidade de soluções pacíficas.

Otimismo e Parcerias Futuras

Ao final da coletiva de imprensa, Lula expressou otimismo quanto ao futuro das relações bilaterais. Ele destacou a evolução da relação com Trump desde o primeiro encontro e a disposição do Brasil em construir parcerias com os Estados Unidos, sem vetos, assim como com outras potências globais. O presidente brasileiro também mencionou a entrega de uma lista de autoridades brasileiras com restrições de visto para os EUA, esperando uma resolução para o impasse. A reunião, que durou cerca de três horas, foi considerada produtiva por ambos os lados, com um clima de otimismo para a resolução de questões comerciais e a ampliação da cooperação bilateral.

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