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Reviravolta no Caso Master: PF liga políticos e STF entra em cena

Reviravolta no Caso Master: PF liga políticos e STF entra em cena
Reviravolta no Caso Master: PF liga políticos e STF entra em cena

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master ganham um novo e explosivo capítulo, com a descoberta de indícios que apontam para o envolvimento de políticos com foro por prerrogativa de função. A revelação promete reconfigurar o futuro do inquérito, indicando que parte substancial das apurações deverá permanecer sob a tutela do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto outros desdobramentos poderão seguir na primeira instância da Justiça Federal.

Conexões Perigosas em Brasília

Os novos achados são fruto da minuciosa análise de provas coletadas na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. O principal alvo, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, teve seus sigilos quebrados, documentos apreendidos e o conteúdo de seu celular acessado. Foi nesse material que a PF encontrou menções recorrentes a lideranças partidárias e autoridades de alto escalão, acendendo um alerta sobre as ramificações políticas do esquema.

Apesar de os investigadores considerarem que essas referências a políticos não integram o núcleo central da fraude – que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado, captação irregular de recursos via CDBs e a tentativa de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília) –, a presença desses nomes impulsionou a PF a aprofundar as análises. O objetivo é verificar se houve participação, favorecimento ou omissão por parte dessas autoridades.

A Rede de Vorcaro e o Desconforto Político

Daniel Vorcaro consolidou-se como uma figura influente nos bastidores de Brasília nos últimos anos. Relatos e investigações indicam que o ex-banqueiro mantinha uma extensa rede de relações políticas, promovendo encontros em uma mansão na capital federal, onde circulavam empresários, parlamentares e operadores do mercado financeiro. Essa teia de contatos agora gera desconforto e receios na classe política, temendo a exposição de vínculos pessoais e financeiros.

Nos corredores da Polícia Federal, o potencial impacto dessas relações já é comparado ao de grandes operações do passado, como a Lava Jato, que abalou diversos partidos e desencadeou movimentos para tentar conter o avanço das apurações.

STF Assume Parte da Investigação

Os indícios de envolvimento político ganharam ainda mais peso com a segunda fase da Operação Compliance Zero, iniciada em janeiro de 2026. Esta etapa investiga o suposto uso de fundos de investimento administrados pela gestora Reag para desviar recursos captados pelo Banco Master. Essa frente da investigação já tramita sob a supervisão do STF, por determinação do ministro Dias Toffoli, após a defesa de Vorcaro alegar menções ao deputado João Bacelar (PL-BA), que possui foro especial. Embora Bacelar não seja o foco principal, seu nome figura nos materiais analisados, assim como referências a outros parlamentares do Congresso Nacional.

Em depoimento à PF em dezembro, Daniel Vorcaro tentou desqualificar a relevância de suas conexões, argumentando que as dificuldades enfrentadas provariam a ausência de interferência política a seu favor.

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