Ypê: E-mails revelam ciência de bactéria meses antes de recall

Uma consumidora de Florianópolis, Karoliny de Abreu Souza, trocou e-mails com a Ypê em dezembro de 2025, descobrindo que a empresa já sabia da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em seu Lava Roupas Líquido. A confirmação interna ocorreu cerca de cinco meses antes da Anvisa determinar o recolhimento nacional de produtos contaminados, em março de 2026.
Anvisa determina recolhimento e suspensão de fabricação
Na manhã de quinta-feira (7), a Anvisa suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento imediato de lotes de produtos da Ypê. A decisão foi tomada após a identificação de falhas graves no processo produtivo da empresa. Em Santa Catarina, o Procon e a Acats acompanham a operação de recolhimento.
Consumidora relata suspeitas e confirmação da empresa
Karoliny relatou ao programa Cidade Alerta que notou alterações no produto logo após a compra, no final de 2025. O líquido apresentava odor forte e embalagens estufadas. Ao contatar a Ypê por e-mail em 1º de dezembro de 2025, a empresa confirmou, com base em análises laboratoriais independentes, a detecção da bactéria em algumas unidades. A Ypê informou que, por precaução, estava recolhendo os produtos afetados, embora o risco para a maioria dos consumidores fosse considerado mínimo.
A consumidora expressou preocupação com possíveis riscos à saúde, mas a empresa assegurou que não haveria problemas. Após a Ypê recolher a embalagem e enviar uma substituição, Karoliny notou que o novo produto também possuía um cheiro forte, levando-a a interromper o uso da linha. Em março de 2026, a Ypê voltou a contatar Karoliny, informando que o Laboratório de Controle de Qualidade havia identificado alterações nas fragrâncias das amostras enviadas.
Riscos e falhas no controle de qualidade
Em nota oficial, a Ypê minimizou os riscos associados à Pseudomonas aeruginosa, descrevendo-a como uma bactéria comum no ar e na água, com baixa probabilidade de impacto na saúde. No entanto, reconheceu que o microrganismo pode agravar infecções em pessoas com imunidade comprometida e, por precaução, decidiu pelo recolhimento. Até o momento, a Anvisa não registrou oficialmente danos à saúde relacionados aos lotes recolhidos.
A determinação da Anvisa decorreu de uma inspeção na unidade da Química Amparo, em São Paulo, que revelou descumprimentos em etapas críticas de produção, comprometendo as Boas Práticas de Fabricação (BPF). A agência destacou que o principal risco é a contaminação por microrganismos patogênicos. A ação afeta especificamente lotes finalizados com o número 1, abrangendo 23 produtos, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
Produtos afetados e orientação aos consumidores
A lista de produtos recolhidos inclui diversas variações de lava-louças, lava-roupas das linhas Tixan e Ypê, além de desinfetantes das marcas Bak e Atol. A Ypê orienta que consumidores que possuam produtos com os lotes especificados entrem em contato com o SAC para receber um novo produto. A empresa reitera seu compromisso com a qualidade, mesmo diante de imprevistos.
