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Desinformação sobre IA Generativa domina redes sociais

Desinformação sobre IA Generativa domina redes sociais
Desinformação sobre IA Generativa domina redes sociais

Um estudo recente conduzido pelo grupo Understanding Artificial Intelligence (UAI), vinculado ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, revela um cenário preocupante sobre a comunicação acerca de IAs generativas nas redes sociais. A análise de aproximadamente 5 mil postagens no Instagram e TikTok, abrangendo o período de 2022 a 2025, indica que a percepção pública sobre essas tecnologias está desconectada de suas capacidades reais, sendo moldada mais pelo imaginário social do que pela funcionalidade técnica.

Desconexão entre Realidade e Percepção

As postagens frequentemente atribuem às IAs generativas habilidades que elas não possuem, como a execução de operações matemáticas complexas ou a criação autêntica de textos originais. Essa atribuição incorreta, aliada à tentativa de abordar múltiplos aspectos como segurança e veracidade em uma única discussão, compromete a qualidade e a profundidade do debate público.

O levantamento, detalhado em uma nota técnica, empregou métodos de análise qualitativa e quantitativa, utilizando a raspagem de dados e hashtags populares como “#inteligenciaartificial”, “#tecnologia” e “#chatgpt” para coletar o conteúdo. Um aspecto notável da pesquisa é o uso da própria IA generativa para auxiliar na classificação de textos, uma estratégia justificada pelo volume de dados, complementada por verificações manuais posteriores.

Dimensões da Análise e Correlações

Luiz Joaquim Nunes, doutorando em Psicologia Social e do Trabalho pela USP e autor principal do estudo, explica que os materiais foram categorizados em quatro dimensões: profundidade, fidedignidade, segurança e aplicabilidade. Embora essas dimensões possam ser avaliadas isoladamente, a pesquisa demonstrou uma correlação entre elas. Em muitos casos, conteúdos que abordam a segurança de IAs, por exemplo, utilizam informações fidedignas, mas a dificuldade surge ao discutir aspectos técnicos específicos sem pré-conceitos sobre o funcionamento da tecnologia.

Victor de Sales Alexandre, coautor da nota técnica e doutor em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, ressalta a dualidade presente nos discursos sobre IA: uma vertente que a enaltece sem reservas e outra que busca compreender seu funcionamento. Essa dicotomia, segundo ele, é exacerbada pela falta de compreensão geral sobre a tecnologia, levando à perda de informações relevantes.

O Impacto da Desinformação

Um exemplo claro dessa desconexão é a recomendação de uso de IAs generativas para cálculos matemáticos, uma tarefa para a qual elas não são otimizadas. Os pesquisadores alertam que a desinformação é prevalente: a cada dez posts analisados, quatro contêm informações incorretas sobre IA. Apenas uma fração aborda os riscos ou a utilização de forma equilibrada, enquanto a maioria se concentra em aspectos isolados.

“A mídia não está contribuindo com esse problema; na verdade, está piorando”, afirma Nunes, indicando que a disseminação de informações imprecisas pode intensificar os riscos associados às IAs. Sales acrescenta que a inteligência artificial, ao ser inserida em um contexto cultural que já apresenta fragilidades em relações de trabalho e educação, tende a amplificar essas contradições, em vez de resolvê-las.

Caminhos para um Debate Crítico

Os pesquisadores defendem a necessidade de abandonar a visão da IA como algo “autoevidente” e promover um pensamento crítico sobre seu funcionamento e aplicação. A discussão sobre o desenvolvimento técnico e tecnológico, e suas implicações sociais, deve considerar potencialidades, limitações e narrativas construídas em torno da IA, sempre com atenção ao contexto sociocultural.

Em consonância com os debates atuais sobre a regulação de IAs e redes sociais, o estudo sugere que a cautela individual deve ser complementada por governança e análise social. Soluções como monitoria e letramento digital são apontadas como ferramentas essenciais para combater a desinformação identificada.

A nota técnica completa, intitulada “A produção de conteúdo sobre IAs generativas colocada em números”, está disponível para consulta. Para mais informações, os pesquisadores Luiz Joaquim Nunes (luiz.nunes@usp.br) e Victor de Sales Alexandre (victor.alexandre@usp.br) estão à disposição.

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