Cultura

Figurantes de filme sobre Bolsonaro relatam abusos e cachês irrisórios

Figurantes de filme sobre Bolsonaro relatam abusos e cachês irrisórios
Figurantes de filme sobre Bolsonaro relatam abusos e cachês irrisórios

Abusos e condições precárias marcam filmagens de “Dark Horse”

Figurantes do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, denunciaram uma série de violações trabalhistas e abusos físicos durante as gravações. O longa, estrelado por Jim Caviezel, conhecido por “A Paixão de Cristo”, tem sido alvo de um dossiê elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP), em colaboração com o Sindicine e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Entre as queixas mais graves, os trabalhadores relataram submissão a revistas íntimas na entrada do set, com toques em partes do corpo. Além disso, houve o confisco de celulares, com câmeras vedadas ou os aparelhos retidos, limitando a comunicação com familiares. Um episódio de agressão física foi registrado, com um figurante acionando a polícia após ser empurrado, agredido com um soco e derrubado por seguranças ao se recusar a entregar seu aparelho.

Comida estragada e tratamento diferenciado

A precariedade na alimentação também foi um ponto de destaque, com relatos de fornecimento de comida estragada em uma das datas de filmagem. Uma disparidade gritante foi observada no tratamento entre a equipe estrangeira e os figurantes brasileiros: enquanto os estrangeiros tinham acesso a um buffet self-service, os brasileiros recebiam apenas um “kit lanche” insuficiente para cobrir jornadas de trabalho que ultrapassavam oito horas.

Segundo informações do site Intercept Brasil, a produção do filme teria recebido R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O montante total negociado com o senador Flávio Bolsonaro teria chegado a R$ 134 milhões. Embora este valor não represente necessariamente o orçamento total da obra, os R$ 61 milhões noticiados superam em três vezes a bilheteria de “Sequestro Internacional”, último filme dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Caviezel, que arrecadou cerca de R$ 20 milhões.

Fraude trabalhista e cachês abaixo do mercado

A vice-presidente do Sated-SP, Ângela Couto, apontou que a produtora Go Up Entertainment utilizou o regime de “pejotização”, prática que o sindicato considera uma fraude à legislação trabalhista, para evitar a contratação formal de funcionários. Os cachês pagos aos figurantes foram considerados irrisórios e abaixo do valor de mercado:

  • Figuração comum: R$ 100,00
  • Elenco de apoio: R$ 170,00
  • Taxa de transporte: Cobrança indevida de R$ 10,00 pelo uso de vans, descontada do cachê.

A convenção coletiva da categoria, válida para 2026 e 2027, estabelece um piso diário de R$ 227,14 para figuração em longas-metragens e R$ 500,00 para elenco de apoio. Ângela Couto lamentou o descaso com os profissionais, relatando maltratos desde o casting até o set de filmagem e atrasos ou falta de pagamento para alguns trabalhadores.

A produção do filme, dirigido por Cyrus Nowrasteh, conta com Mario Frias como produtor-executivo. O lançamento está previsto para setembro de 2026.

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