Economia

Apps ‘salvam’ mercado de trabalho no Brasil, mas futuro é incerto

Apps ‘salvam’ mercado de trabalho no Brasil, mas futuro é incerto
Apps ‘salvam’ mercado de trabalho no Brasil, mas futuro é incerto

A revolução dos aplicativos no mercado de trabalho

A chegada da Uber ao Brasil em 2014 coincidiu com um período de crise econômica, impulsionando o crescimento do trabalho por meio de plataformas digitais. Uma década depois, mesmo com a recuperação da economia e a diminuição do desemprego, os aplicativos se consolidaram como parte integrante do mercado de trabalho, oferecendo uma alternativa para muitos brasileiros.

Crescimento constante e escolhas individuais

O número de trabalhadores em plataformas digitais continua a crescer, superando o ritmo do mercado tradicional. Entre 2022 e 2024, houve um aumento de 25% na ocupação em atividades mediadas por aplicativos, enquanto o setor privado cresceu apenas 3%. Essa expansão não se deve apenas à falta de opções, mas também à busca por flexibilidade, autonomia e a possibilidade de aumentar a renda.

Marcos Costa, um ex-professor de educação física, é um exemplo disso. Ele se tornou motorista de aplicativo há dez anos e, com o dinheiro que ganha, construiu sua casa própria e planeja se mudar para Portugal.

Impactos macroeconômicos e reorganização das cadeias produtivas

A economia de plataformas tem um impacto significativo no mercado de trabalho, elevando a taxa de participação, reduzindo a inatividade e aumentando a eficiência. Daniel Duque, pesquisador da FGV, destaca que os aplicativos funcionam como um “colchão” contra o desemprego, oferecendo renda para aqueles que perderam seus empregos.

Além disso, as plataformas têm transformado as cadeias produtivas, permitindo que restaurantes e pequenos comércios expandam seus negócios. A logística urbana se digitalizou e o transporte individual se tornou mais acessível.

O futuro do trabalho por aplicativos

O Brasil se tornou um dos principais mercados para empresas como Uber, 99 e iFood. No entanto, o crescimento explosivo da economia de aplicativos não deve continuar indefinidamente. É necessário encontrar um equilíbrio entre flexibilidade, geração de renda e proteção social.

A discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos, como o Projeto de Lei Complementar 152/2025, busca garantir direitos básicos aos trabalhadores sem prejudicar a dinâmica do setor. O desafio é encontrar uma solução que permita que os aplicativos continuem a complementar o mercado de trabalho, oferecendo oportunidades e renda para milhões de brasileiros.

Ricardo Miranda, que trabalhou como entregador após ser demitido, almeja retornar ao regime CLT, mesmo ganhando mais atualmente: “Vou juntando dinheiro.”

Vitor Filipe, por outro lado, valoriza a liberdade que encontrou como entregador de aplicativo: “Hoje, tenho liberdade.”

Da redação do Movimento PB.

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