Lula em Hanôver: Brasil busca protagonismo em energia limpa

Em um discurso marcante na Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (20/4) que o Brasil está pronto para assumir um papel de liderança global na transição energética. Lula enfatizou a ambição do país em se tornar um parceiro estratégico da Europa em inovação, indústria limpa e desenvolvimento sustentável, sinalizando o fim de uma era em que o Brasil era tratado como um país “pequeno” ou “invisível” no cenário econômico mundial.
Brasil como Potência em Transição Energética
“O Brasil é um país que quer se transformar numa economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno”, afirmou Lula, defendendo uma nova postura brasileira no palco internacional. Ele destacou a robusta base intelectual e tecnológica do país, citando empresas como a Petrobras e a Embraer como exemplos de capacidade produtiva e inovação. “Nós temos a capacidade de compartilhar com a Alemanha coisas em toda a América do Sul. E por que não dizer, a gente começar a olhar para o continente africano”, acrescentou.
A participação brasileira na Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, serviu como plataforma para reforçar a estratégia do governo em posicionar o Brasil como líder na agenda da economia verde. Lula ressaltou a força da matriz energética nacional, onde cerca de 90% da eletricidade provém de fontes renováveis, conferindo ao Brasil uma vantagem competitiva significativa. Além disso, mencionou os avanços na produção de biocombustíveis, com misturas de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel.
Competitividade e Combustíveis Limpos
Lula propôs uma comparação internacional das emissões de combustíveis utilizados em veículos pesados, argumentando que os biocombustíveis brasileiros já apresentam um impacto ambiental inferior aos combustíveis fósseis de outros mercados. Essa iniciativa visa demonstrar o potencial brasileiro em oferecer soluções sustentáveis para o transporte de carga e, ao mesmo tempo, impulsionar a competitividade industrial com menor pegada ecológica.
Após a cerimônia de abertura do pavilhão brasileiro, o presidente visitou estandes de importantes empresas nacionais e internacionais, como WEG, BE8, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil. A presença de caminhões movidos a biocombustível, incluindo um modelo da Mercedes-Benz com biodiesel verde, reforçou a mensagem de inovação e sustentabilidade.
Cooperação Tecnológica e Oportunidades Industriais
A presença na Feira de Hanôver não se limitou à exposição de produtos. Lula enfatizou a importância de aprofundar a cooperação tecnológica com a Alemanha e explorar novas oportunidades de negócios conjuntos. “Viemos aqui para aprender aquilo que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que nós somos capazes de fazer e aquilo que a gente pode compartilhar e pode construir junto”, declarou.
A parceria estratégica com a Alemanha foi apontada como um caminho para impulsionar investimentos, inovação e a criação de novas cadeias produtivas sustentáveis. Lula destacou o potencial brasileiro para oferecer oportunidades de investimento e colaboração empresarial, científica e tecnológica entre os dois países.
Um Novo Horizonte para o Brasil
Ao concluir seu discurso, Lula reafirmou a busca do Brasil por um novo papel no cenário internacional, marcado pelo protagonismo econômico e pelo compromisso com a sustentabilidade. A participação como país parceiro oficial da Feira de Hanôver, após 46 anos, simboliza a determinação brasileira em crescer como uma economia industrial avançada e uma liderança climática global. A relação entre Brasil e Alemanha, segundo o presidente, “nunca mais será a mesma” após este evento.
A Alemanha, a maior economia da Europa e a terceira do mundo, é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o fluxo comercial bilateral atingiu US$ 20,9 bilhões, e o país representa a sétima origem de investimentos diretos no Brasil, com um estoque acumulado de US$ 44 bilhões.
