Assalto milionário choca Alemanha: Ninguém viu, ninguém ouviu

Um dos assaltos a banco mais espetaculares da história recente da Alemanha chocou o país e levantou sérias questões sobre a segurança de instituições financeiras. Em final de dezembro de 2023, ladrões invadiram uma agência do banco Sparkasse na cidade de Gelsenkirchen, perfurando uma parede com uma broca industrial e saqueando mais de 3.000 cofres, levando consigo milhões de euros. O mais surpreendente: a ação criminosa passou completamente despercebida por dias, deixando a polícia sem pistas e os clientes em fúria.
O Plano Audacioso e a Falha na Segurança
O roubo ocorreu durante um fim de semana tranquilo, logo após o Natal. Acredita-se que os criminosos tenham acessado o prédio do Sparkasse, localizado na Nienhofstrasse, no distrito de Buer, através de um estacionamento vizinho. Investigadores suspeitam que uma porta de emergência entre o estacionamento e o banco foi adulterada, permitindo que os ladrões tivessem acesso “desimpedido” ao edifício.
Uma vez dentro, a gangue superou vários sistemas de segurança e chegou a uma sala de arquivo no subsolo, adjacente ao cofre principal. Foi ali que montaram a broca industrial, criando um buraco de 40 centímetros de diâmetro na parede que dava acesso direto ao local onde os 3.250 cofres estavam guardados.
Alarmes Ignorados e Pistas Perdidas
O cronograma do assalto é ainda mais perturbador. As autoridades estimam que o roubo tenha ocorrido entre sábado, 27, e segunda-feira, 29 de dezembro. No entanto, houve um alerta crucial que foi ignorado.
- Às 06h00 do dia 27 de dezembro, um alarme de incêndio foi disparado do cofre do banco, possivelmente acionado pelos próprios ladrões.
- Vinte bombeiros e a polícia chegaram ao local às 06h15, mas, sem encontrar fumaça, cheiro de fogo ou danos visíveis, concluíram que se tratava de um falso alarme. O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, explicou que a polícia não tinha autoridade para revistar o banco sem um mandado, sendo a questão de responsabilidade da brigada de incêndio.
Apenas na madrugada de 29 de dezembro, quando um segundo alarme de incêndio disparou e os bombeiros retornaram, a cena de caos foi finalmente descoberta. O cofre estava irreconhecível, com mais de meio milhão de itens espalhados pelo chão, e muitos danificados por água e produtos químicos usados pelos ladrões.
O Rastro de Destruição e as Vítimas
Dentro do cofre, os criminosos abriram quase todos os 3.250 cofres, levando dinheiro, ouro e joias. As estimativas da mídia alemã sugerem que o valor total roubado pode chegar a €100 milhões. Testemunhas relataram ter visto vários homens carregando grandes sacolas no estacionamento durante a noite de 28 de dezembro.
As imagens de câmeras de segurança do estacionamento revelaram homens mascarados e dois veículos – um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco, ambos com placas falsas. A polícia de Gelsenkirchen apelou por testemunhas, mas, mais de um mês depois, nenhuma prisão foi feita.
Para os clientes do banco, a situação é de raiva, confusão e choque. Muitos perderam as economias de uma vida, joias de família e bens de valor sentimental. Joachim Alfred Wagner, de 63 anos, que havia alugado um cofre após vários arrombamentos em sua casa, perdeu ouro e joias de seus antepassados. “Chorei de raiva”, desabafou. Vários clientes, incluindo Wagner, estão processando o banco por negligência na segurança.
Implicações Políticas e a Busca por Respostas
O caso se tornou um tema político na Alemanha, com o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) realizando um comício em frente ao banco. O ministro Herbert Reul levantou questões difíceis:
- Por que ninguém notou o que estava acontecendo?
- Foi um trabalho interno?
- Por que ninguém ouviu a broca e como os ladrões sabiam a localização exata do cofre?
- Os sistemas de segurança do banco eram muito fracos?
O chefe de polícia, Tim Frommeyer, descreveu o caso como “um dos maiores casos criminais na história do estado da Renânia do Norte-Vestfália”. A revista alemã Der Spiegel resumiu o sentimento geral: “A sensação de que as promessas de segurança são vazias, que as instituições estão falhando, que, em última análise, ninguém está sendo responsabilizado.”
Da redação do Movimento PB.
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